quarta-feira, 3 de maio de 2017

Fetranspor diz que não vai repor ônibus destruídos e vai paralisar circulação de linhas ameaçadas

Entidade também vai entrar na justiça contra prejuízos do setor
ADAMO BAZANI
As empresas de ônibus do Rio de Janeiro decidiram reagir contra a onda de violência, que foi responsável pela destruição somente neste ano de 51 ônibus, causando prejuízos de R$ 22,9 milhões, e contra a manutenção da tarifa em R$ 3,80, uma queda de braços e entre os operadores e administração Marcelo Crivella.
Em nota divulgada na manhã desta quarta-feira, 3 de maio de 2017,  a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Fetranspor) diz que não vai repor os ônibus destruídos nos incêndios e vai tomar outras medidas como prestar queixa-crime contra quem participou ou estimula dos atos de vandalismo e parar a circulação das linhas onde houver riscos aos passageiros e motoristas.
Quanto ao congelamento da tarifa neste ano, a Fetranspor alega que a decisão da prefeitura é a principal causa dos prejuízos do setor e que o contrato de concessão de 2010 prevê o reajuste.
O prefeito Marcelo Crivella e o vice e atual secretário de transportes Fernando Mac Dowell, já declararam que só vão reajustar a tarifa após o cumprimento da meta de ar-condicionado em toda a frota. Entretanto, o caso foi parar na justiça que mandou a prefeitura realizar estudos considerando uma revisão tarifária.
Em acordo com o ministério Público do Estado firmado em 2013, até o final de 2016 todos os ônibus deveriam ter ar-condicionado.
O acordo não foi cumprido, mas empresas dizem que o custo da medida não é repassado as tarifas.
Leia a nota na íntegra:
BASTA! SOMENTE ESTE ANO, 51 ÔNIBUS FORAM DESTRUÍDOS POR INCÊNDIOS CRIMINOSOS As empresas de transporte de passageiros por ônibus do Estado do Rio de Janeiro vêm a público repudiar e manifestar indignação em relação aos atos criminosos que têm destruído, por meio de incêndios, os veículos que servem a um sistema que transporta diariamente mais de 8 milhões de passageiros no Estado.
Diante da incapacidade de o poder púbico garantir segurança à operação, as empresas decidiram:
  1. Recorrer à Justiça em busca de reparação aos graves prejuízos causados ao setor.
  2. Prestar queixa-crime contra todos aqueles que participarem ou estimularem atos de vandalismo.
  3. Paralisar a circulação dos ônibus sempre que a segurança de passageiros e rodoviários estiver em risco, e comunicar a decisão ao Ministério Público Estadual.
  • Os ataques a ônibus no Estado do Rio alcançaram números alarmantes. De janeiro até agora, 51 ônibus já foram destruídos por ações criminosas, superando os registros de todo o ano de 2016.
  • A cada 2,5 dias um ônibus foi incendiado em 2017, com prejuízo direto aos usuários. Além dos riscos às vidas de passageiros e rodoviários, aqueles que utilizam o transporte sofrem com menos opções para deslocamentos, maior tempo de espera nos pontos e viagens menos confortáveis, com a redução da frota em operação.
  • Diante dos graves efeitos da crise financeira sobre as empresas, que sofrem com a redução da atividade econômica e o aumento do desemprego, os ônibus destruídos não serão substituídos.
  • Na cidade do Rio, o setor tem sido impactado, também, pela negativa da Prefeitura de conceder o reajuste tarifário previsto no contrato de concessão de 2010.
  • O prejuízo do setor com o vandalismo, desde janeiro de 2016, já supera R$ 42 milhões. Vale destacar que não há seguro disponível para esse tipo de sinistro, obrigando as empresas a arcar com todo o prejuízo.
  • A reposição de um único ônibus com ar-condicionado tem custo aproximado de R$ 450 mil. Este valor não é repassado ao usuário por meio da tarifa.
Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado
Veja o comunicado
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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