quarta-feira, 15 de junho de 2016

Diante do risco de Metrô no Rio não ficar pronto até as Olimpíadas, Governo oficializou plano emergencial com mais ônibus

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

ônibus BRT
Ônibus BRT do Rio de Janeiro. Frota de articulados em operação deve aumentar caso Metrô da linha 4 não fique pronto
Além dos 158 ônibus articulados que vão operar para a demanda dos jogos, outros coletivos devem ser deslocados e faixas de ônibus podem unir BRT à região da linha 4
ADAMO BAZANI
O metrô da linha 4 do Rio de Janeiro, considerado essencial para a mobilidade nos Jogos Olímpicos, está atrasado e não há ainda definição de que o governo do estado terá acesso a tempo a um empréstimo de R$ 989,2 milhões, tido como indispensável para o término das obras.
Nesta terça-feira o presidente interino da República, Michel Temer, esteve no Rio de Janeiro conversando com governador interino do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, e disse que a União vai analisar novamente o pedido de empréstimo, mas que ainda não pode falar em valores, o que deve ocorrer apenas na próxima semana.
O governo do Rio de Janeiro disse que está otimista em concluir ao menos o trecho Olímpico da linha 4 do metrô até o final de julho.
A operação deve ocorrer no dia 1º de agosto, poucos dias antes do início das Olimpíadas que é no dia 5 de agosto.
Mesmo assim, o Secretário-Executivo de Coordenação de Governo, Rafael Picciani, confirmou que o Estado trabalha com medidas emergenciais e um Plano B em relação ao Metrô.
MAIS ÔNIBUS:
Basicamente o plano, é semelhante à alteração para atender o público na saída do Parque Olímpico durante a madrugada, mas é mais abrangente e vai contar com frota maior de ônibus e alterações viárias.
De acordo com o planejamento do Governo, além dos 158 ônibus articulados que já vão prestar serviços para demanda das Olimpíadas, outros ônibus comuns e do BRT Transoeste podem ser deslocadas.
Um corredor de ônibus temporário deve ligar a Barra da Tijuca até a região de Ipanema ou Leblon.
Esse serviço de ônibus deve atender regiões como Jardim de Alah, Praça Antero de Quental e Praça General Osório.
Para que o espaço dos ônibus seja implantado, a Faixa Olímpica da ligação Barra da Tijuca – Zona Sul passaria da Avenida Niemeyer para a Autoestrada Lagoa-Barra e para o Túnel Zuzu Angel.
Os ônibus articulados na Zona Sul circularam pelas vias BRS e as linhas regulares sofreriam alterações com Plano B do Metrô-Linha 4.
Em fevereiro deste ano, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, enviou comunicado para o Comitê Olímpico Internacional alertando sobre o risco de o metrô não ficar pronto até o evento.
GOVERNO PROMETE SAIR DA INADIMPLÊNCIA:
O governador interino do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, prometeu agilizar o pagamento de débitos em outros financiamentos para ter condições de captar, com o aval do Tesouro, o empréstimo de R$ 989,2 milhões para bancar o restante das obras.
O estado do Rio de Janeiro está impedido de receber um empréstimo do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no valor de R$ 989,2 milhões para a continuidade das obras.
O BNDES, no dia 9 de maio, tinha aprovado a operação de crédito que liberaria os empréstimos em duas parcelas de R$ 494,6 milhões.
Entretanto, a operação também precisa ter autorização do Tesouro Nacional que entra como uma espécie de fiador. Mas o Tesouro impediu a liberação porque o governo do estado do Rio de Janeiro deixou de pagar na semana passada uma parcela de R$ 8 milhões de um contrato que mantém com a Agência Francesa de Fomento, além de ter parcela em atraso com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Pela lei, a União só pode garantir empréstimo ao ente público se ele estiver em dia com seus compromissos.
Além de isso, no último dia 25 de maio, o Governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou um relatório que mostra que a dívida tinha superado em 200% a receita corrente líquida estadual e, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, os estados não podem ter dívidas maiores que esse teto de 200%.  Assim ficam impedidos de contrair novos empréstimos para não se endividarem mais ainda.
No final de maio, o Estado do Rio de Janeiro refez os cálculos já levando em conta o abatimento de R$ 4,6 bilhões pela mudança de regras do indexador das dívidas com União. Este limite de dívida passou para 191,6%, o que é admitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
QUASE O DOBRO:
A linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro custará quase o dobro do previsto inicialmente e só estará pronta plenamente em 2018, quando deve ser concluída a Estação Gávea. As obras começaram em junho de 2010 e deveriam estar prontas em abril de 2016.
Ao todo, a linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro deve ter 16 quilômetros de extensão, com seis estações: Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz. A demanda prevista é de 300 mil passageiros por dia.
A linha vai custar quase o dobro do previsto inicialmente. Quando foi lançado o projeto da linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, a estimativa era de que o sistema custaria R$ 5,5 bilhões para ser entregue, valor que foi para R$ 9,8 bilhões, incluindo 15 composições.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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