quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Velocidade média dos ônibus mostra que São Paulo precisa de BRT

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

ônibus
Em corredores realmente dedicados, ônibus ganha, eficiência, como no Expresso Tiradentes
Em corredores simples, resultados ficaram abaixo da meta da prefeitura, apesar de crescimento, mas no Expresso Tiradentes velocidade média foi de quase 50 km/h
ADAMO BAZANI
A velocidade dos ônibus nos corredores na capital paulista subiu em 2015, 5% na comparação com 2014. A média no ano passado foi de 19,3 km/h nos dias úteis. Em 2014, a velocidade média dos ônibus foi de 18,4 km/h.
Mesmo com o aumento, a o desempenho ficou abaixo da meta estipulada pela prefeitura que pretende fechar a administração Haddad com os ônibus circulando 25 km/h nos corredores e faixas.
Os dados divulgados TCM – Tribunal de Constas do Município no Diário Oficial da Cidade levam em consideração 16 espaços porque contam com trajetos de ida e volta.
Nesta média mensal, foram excluídos os dados do Expresso Tiradentes por se tratar de uma via realmente segregada sendo um BRT de fato.
No Expresso Tiradentes, em 2015 a velocidade média chegou a 47,37 km/h no pico da manhã sentido centro, sendo superior até mesmo a muitos modais de transportes. No pico da tarde, sentido bairro, a velocidade média deste BRT foi de 42,84 km/h.
A prefeitura tinha como meta até 2016 entregar ao menos 173,4 quilômetros de corredores de ônibus, sendo que grande parte desse total seria de BRT.
O BRT – Bus Rapid Transit se configura em corredores com vias realmente segregadas dos demais veículos nas ruas, inclusive não admitindo táxis, e contam com pontos de ultrapassagem entre os ônibus para que não haja perda de tempo em filas de coletivos nas paradas. As estações de embarque desembarque têm piso no mesmo nível do assoalho do ônibus e pré-embarque, que é o pagamento da tarifa antes da chegada do ônibus.
Um modal de transporte não substitui o outro e deve ser escolhido de acordo com a demanda atual e a perspectiva de crescimento. No entanto, sistemas de BRT podem ser ampliados e terem a capacidade aumentada de acordo com a modificação da demanda e podem ser até 20 vezes mais baratos que metrô e 12 vezes mais baratos que monotrilhos.
O prazo de conclusão, se não houver problemas financeiros e técnicos, como ocorrem em São Paulo, pode ser entre dois e três anos.
Vale ressaltar, entretanto, que o Expresso Tiradentes é uma via elevada, não havendo assim interferência de cruzamentos na maior parte do trajeto. Um BRT no nível do solo já encontra mais cruzamentos, no entanto, uma das soluções aplicadas nos principais sistemas de corredores de ônibus do mundo são semáforos inteligentes que dão preferência à passagem dos ônibus.
Em média, a velocidade de um BRT no nível do solo, de acordo com o UITP – União Internacional de Transportes Públicos, pode ser em torno de 35 km/h
Entre os corredores simples, o que teve melhor desempenho em 2015 foi o Parelheiros – Rio Bonito – Santo Amaro no Pico da Manhã – Bairro/Centro, com média de 22,8 km/h.
Já o corredor simples com desempenho pior foi o Jd. Ângela – Guarapiranga – Santo Amaro – Pico da Tarde – Centro/Bairro, com 15,24 km/h de média.
O corredor da Engenheiro Luís Carlos Berrini não foi avaliado porque foi inaugurado recentemente.
De acordo com a prefeitura, no primeiro semestre deste ano, a média de velocidade dos ônibus em toda cidade foi de 11km/h para 17 km/h e a dos corredores foi para 23 km/h.
Esses dados ainda não foram enviados para o TCM – Tribunal de Contas do Município, segundo a prefeitura.
Veja o quadro:
corredor-desempenho
VIAGENS AUMENTAM:
Segundo a prefeitura, o número de viagens na capital paulista cresceu no primeiro semestre deste ano de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado. Foram entre janeiro e junho de 2016, 1,433 bilhão e 1,422 bilhão no período de 2015, alta de 0,8%.
No entanto, em todo o ano de 2015, houve queda de viagens em comparação a 2014.
Foram 2,659 bilhões de viagens em 2015 ante 2,686 bilhões registradas no ano anterior.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Eletromobilidade só vale a pena se o transporte público receber preferência nos investimentos, diz Greenpeace

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

ônibus elétrico
Ônibus elétrico brasileiro. Estudos internacionais mostram que incentivo primeiro deve ser para o transporte coletivo na eletromobilidade.
De acordo com entidade internacional, 10 mil ônibus elétricos trazem mais benefícios que um milhão de carros com a mesma propulsão. Institutos oficiais confirmam prejuízos à mobilidade por incentivos fiscais a carros elétricos
ADAMO BAZANI
Com agências internacionais
Os carros elétricos são realmente a solução para o meio ambiente? Dependendo do país, as dúvidas são grandes e assim como em qualquer sistema, o transporte coletivo deve ganhar preferência nos investimentos, mesmo se tratando de veículos que dependem de eletricidade e dispensam os combustíveis fósseis para operar.
A conclusão é da organização ambiental Greenpeace e é avalizada por diversos institutos internacionais de pesquisa.
Segundo o especialista em mobilidade urbana do Greenpeace, Daniel Moser, em entrevista ao jornal alemão Die Welt, uma grande quantidade de carros elétricos para o transporte individual também traz impactos negativos ao meio ambiente e à mobilidade urbana.
O ideal é que os deslocamentos em sistemas sobre pneus sejam feitos em ônibus elétricos ou com outras fontes que não dependem exclusivamente dos combustíveis fósseis.
A preocupação do Greenpeace é que a suposta emissão zero de poluentes se torne uma espécie de “álibi” para as montadoras venderem carros com excessos de incentivo fiscal.
Além de uma quantidade muito grande de carros elétricos não contribuir significativamente para o meio ambiente, pode trazer efeitos negativos para o trânsito.
“10 mil ônibus elétricos rendem tanto quanto 1 milhão de carros”. – disse o especialista ao jornal. – Veja em Die Welt
O UPI – Instituto de Meio Ambiente e Prognósticos da Alemanha – em tradução para o português – confirma a posição do Greenpeace e cita como exemplo a Noruega, que é considerado o país com maior número de veículos movidos a bateria por número de habitantes.
De acordo com a entidade oficial, na Noruega, cresceu a demanda por carros elétricos e como resultado houve uma queda de mais de 80% no uso dos transportes públicos para ir e voltar ao trabalho e para as atividades educacionais.
Por causa disso, não houve ganhos significativos na Noruega do ponto de vista ambiental e os congestionamentos ficaram ainda maiores.
No caso específico da Europa, um dos grandes problemas é a forma como a energia elétrica é gerada.
Segundo balanço do Ifeu – Instituto de Pesquisa de Energia e Meio Ambiente, de Heidelberg, na Alemanha, em estudo que teve início em 2011, o aumento da frota de veículos do transporte individual movidos à eletricidade só vai transferir os impactos negativos ambientais das ruas para as regiões das usinas.
Isso porque, em boa parte do Continente, a eletricidade ainda é gerada a partir de combustíveis fósseis, como queima de petróleo, gás natural e carvão.
Ainda segundo o levantamento, para que um carro elétrico seja menos agressivo ao meio ambiente em comparação a um carro convencional, é necessário percorrer no mínimo 100 mil quilômetros com o veículo.
No caso de países cuja eletricidade é originada em fontes renováveis, como o Brasil, a poluição zero dos veículos de transporte individual elétricos só começaria a partir de 30 mil quilômetros de uso.
Além da geração de energia elétrica ter um impacto ambiental importante, outra preocupação demonstrada pelo Greenpeace e pelos institutos internacionais de meio ambiente é sobre a produção das baterias.
Neste caso, novamente os estudos mostram que é mais vantajoso incentivar primeiro o ônibus elétrico que o carro elétrico, no caso dos transportes sobre pneus. Isso porque a capacidade de transporte do ônibus é bem superior à dos carros, com resultados financeiramente e ambientalmente melhores no transporte coletivo do que no transporte individual.
Ainda segundo o instituto alemão, a produção de um quilowatt/hora de capacidade elétrica gera emissões de 125 quilos de gás carbônico. Uma bateria de 22 quilowatts/hora, como é utilizada em alguns carros de passeio, pode representar a emissão anual de quase três toneladas de dióxido de carbono, isso para atender no máximo quatro pessoas por vez.
Já os ônibus possuem baterias maiores, porém atendem uma quantidade muito superior de pessoas, até 100 em uma viagem.
Na prática, é a mesma lógica que já existe se comparado o ônibus a diesel com os carros movidos à gasolina. O óleo diesel por si só polui mais que a gasolina, mas pela capacidade do transporte de ônibus ser até 17 vezes maior, mesmo movido a diesel, um ônibus traz vantagens ambientais ao substituir tantos carros nas ruas.
Os estudos de institutos governamentais e acadêmicos e a conclusão do Greenpeace mostram que assim como já ocorre em toda a mobilidade, com eletromobilidade não é diferente: os investimentos, os incentivos fiscais e a prioridade devem ser para o transporte coletivo.
A versão em português do jornal traz mais dados sobre este tema tão importante:Deutsche Welle
 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

HISTÓRIA: CAIO Gabriela – Um simpático divisor de águas

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

Gabriela
O Caio Gabriela foi sem dúvida um dos grandes sucessos da indústria nacional de ônibus. Em grades sistemas, como da Capital Paulista, a quantidade de Caio Gabriela era tão grande que o veículo se tornava parte da paisagem e do dia a dia das pessoas. Os ônibus estavam nos momentos mais marcantes e curiosos. Veja, por exemplo, o cartaz do filme Tristeza do Jeca, de Mazzaropi no cinema e bem em frente, os Caio Gabriela passando
Desde versões simples parecidas com caminhão para o mercado latino americano até ser o marco inicial do ônibus articulado brasileiro e do BRT: o Gabrielinha tem muita história
ADAMO BAZANI
O primeiro ônibus articulado do país. O primeiro trólebus nacional que daria base à segunda geração de veículos elétricos fabricados após seis anos de estagnação. Responsável por consolidar uma nova tendência de conforto e design na indústria de ônibus brasileira.  Personagem atuante no primeiro BRT  – sistema de vias segregadas para veículos de transporte coletivos – do mundo.
Uma carroceria que incorporava a configuração de ônibus de três eixos para o mercado urbano, o que era raro em sua época. Mas ao mesmo tempo, uma carroceria que também poderia ter versões bem rústicas com a dianteira de caminhões, se parecendo com uma jardineira.
Um modelo que chegou a compor praticamente frotas de cidades inteiras e, de quebra, conferiu à sua fabricante a liderança definitiva do setor de carrocerias urbanas.
Ufa! Com um currículo deste, não é exagero nenhum dizer que o modelo Gabriela, da fabricante de carrocerias CAIO, foi um divisor de águas no mercado de ônibus brasileiro, e que sua concepção trouxe uma cultura de fabricação de veículos de transportes coletivos, com elementos até hoje adotados pelas fabricantes do Brasil, que se encontram entre as mais respeitadas do mundo. Um dos exemplos é privilegiar a visibilidade para os passageiros e motorista.
Apesar de alguns modelos já nos anos 1960 adotarem linhas mais retas no design, carrocerias mais limpas de detalhes e um projeto que privilegiasse melhor a circulação interna de passageiros, com maior conforto e visibilidade por áreas envidraçadas maiores, esses conceitos só se tornaram palavras de ordem no mercado de ônibus urbanos após o lançamento deste simpático modelo.
Gabriela
Renovações de frotas eram realizadas com grandes quantidades de Caio Gabriela, que chegou a deter 44% de todo o mercado de ônibus no primeiro ano de comercialização da segunda versão.
Mesmo quem não conhece muito de ônibus, ou não se liga muito no assunto, pode se lembrar desse nome, ou, pelo menos, do modelo do ônibus ao ver uma foto antiga. Isso porque, devido às suas inovações, de acordo com a edição de uma revista especializada, de 1979, Transporte Moderno, o CAIO Gabriela ganhava a simpatia não só de frotistas, mas também da população. E quando era pedido que alguém pensasse num produto de utilidade pública da indústria nacional automobilística, logo vinha o velho “Gabrielinha”, como era chamado à cabeça.
O Gabriela foi lançado em 1974. Chamada pelo mercado de Caio Gabriela I, a primeira versão do Gabriela tinha elementos do modelo antecessor, o Bela Vista, como as janelas laterais inclinadas e traseira em ângulo, arredondada e vigia traseiro bipartido.
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Gabriela
Primeira versão do Caio Gabriela, de 1974, ainda mantinha características do antecessor Bela Vista, como janelas inclinadas e vigia traseiro bipartido. No Gabriela II, de 1976, as linhas eram mais retas e o vigia traseiro único.
Pouco tempo depois, em 1976, no Salão do Automóvel, viria uma nova versão de Gabriela. Chamada pelo mercado de Caio Gabriela II, que começou a ganhar um impulso notório no mercado a partir de 1977.
As janelas eram retas, as lanternas traseiras verticais e o vigia traseiro era inteiriço.
Realmente, os funcionários de empresas de ônibus e operários do setor mais antigos não têm dúvidas em dizer que foi uma sensação para a época. O modelo era harmonioso para os padrões da ocasião. O Gabriela II tinha linhas mais retas, mas não era necessariamente quadradão.
Em 1977, de acordo com dados da Caio, foram vendidos em torno de 3 mil 700 unidades da versão básica do Gabriela II. Um número impressionante para a época, cujas cidades ainda estavam crescendo. As cerca de 3 mil e 700 unidades do Gabriela representaram 44% dos 8 mil 886 carrocerias der ônibus de todos os modelos e marcas fabricadas naquele ano. Isto é, apenas um modelo respondeu por quase metade da produção de ônibus.
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Algumas primeiras unidades do CAIO Gabriela II ainda saíam com os famosos volantões brancos, mas a maior parte da alavanca de câmbio já era reta, sem ser angulada, do tipo popularmente chamado de “coça-sovaco”. Uma inovação do conjunto do chassi, motor e transmissão que marcou o Gabriela II.
Aliás, inovação da indústria é com esse modelo mesmo. A demanda por transportes crescia de maneira assustadora a partir dos anos 1960. As reivindicações por sistemas de ônibus mais modernos e confortáveis ganhavam coro até na mídia, que fazia reportagens e expunha a carência por transportes mais dignos eficientes para atender a uma quantidade cada vez maior de passageiros, especialmente nos centros urbanos. A indústria se desenvolvia e o perfil econômico do país, que mudava para urbano de maneira mais acelerada, mudava a forma pela qual se davam os deslocamentos.
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Caio não poupava esforços para apresentar o Caio Gabriela ao mercado da melhor forma. Nos catálogos e propagandas, tanto o Caio Gabriela I como o Caio Gabriela II apreciam com acessórios como calotas e iluminação auxiliar.
Caio não poupava esforços para apresentar o Caio Gabriela ao mercado da melhor forma. Nos catálogos e propagandas, tanto o Caio Gabriela I como o Caio Gabriela II apreciam com acessórios como calotas e iluminação auxiliar.
Algumas linhas na cidade de São Paulo e em outras capitais, assim como em suas regiões metropolitanas, não poderiam mais ser atendidas pelos velhos ônibus, com baixa capacidade e nível inferior de conforto.
Dizer que o Gabriela foi o ônibus mais confortável da indústria brasileira e o ideal para todas as épocas, aí sim, é exagero. Mas ele representou uma grande evolução na concepção de carrocerias. Sua disposição interna de bancos e equipamentos, por exemplo, facilitava e muito a circulação de passageiros e sua posição para dirigir, apesar ainda das direções de queixo duro (pesadas, sem serem hidráulicas) na maioria dos chassis, já era bem melhor que modelos mais antigos. Nada que se comparasse a um Coach norte-americano dos anos 1940, mas, para nossa indústria, já era um avanço importante.
Como ônibus não é só carroceria, uma peça única (à exceção dos monoblocos), mas todo um conjunto, ou seja, chassi, motor, sistemas de transmissão, suspensão etc., o CAIO Gabriela acompanhava, se adaptava e colaborava para o desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitariam que os transportes brasileiros começassem a oferecer o conforto e a segurança que o passageiro merece, a comodidade que o funcionário precisa e a rentabilidade que o empresário necessita para continuar viável seu negócio.
E o querido Gabrielinha foi junto com a indústria de diversos componentes de ônibus pioneiro em muitas coisas.
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O CAIO Gabriela fez parte das inovações que começavam a surgir com mais ritmo na indústria nacional. Ele foi o primeiro ônibus articulado do Brasil, sobre chassi Scania, já trazia direção hidráulica e sistemas mais modernos de amortecimento para aumentar o conforto de usuários e funcionários.
O Gabriela foi, por exemplo, o modelo a encarroçar o primeiro ônibus articulado do país, no ano de 1978. O veículo foi montado sobre chassi Scania B 111, motor DS 11, turbo alimentado, de 296 cavalos de potência. A capacidade era para 180 passageiros (tudo o que alguns serviços de alta demanda precisavam na época). Além disso, o primeiro articulado tinha caixa manual de seis marchas (5 para frente e uma ré), com opção para a instalação de caixa automática. O sistema de freios tinha circuito independente para cada um dos 3 eixos. A direção era hidráulica, e a articulação Recrusul-Schenk era apoiada sobre chapa de aço no chassi dianteiro. A ligação com o carro traseiro era feita com sistema emborrachado para absorver impactos e dar mais conforto a usuários e funcionários. O peso vazio do articulado Gabriela Scania era de 13 toneladas, e o bruto de 30 toneladas. A carroceria media 18,15 metros. Apesar das dimensões, em comparação aos veículos convencionais, o Gabriela/Scania articulado não era muito gastão. Fazia 2,6 quilômetros por litro de diesel, contra 3 quilômetros por litro de rendimento dos demais veículos de transporte público. A vida útil estimada, de 15 anos, contra 10 dos ônibus comuns, também era outro diferencial. A primeira empresa a operá-lo foi a Transurb, de Goiânia, com 4 carros articulados.
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Gabriela
Trolebus Caio Gabriela. Foi o início de uma nova geração de ônibus elétricos, depois de estagnação da indústria no segmento de trólebus. Ararquara, no interior de São Paulo, recebeu as unidades. Carroceria tinha conceito de monobloco.
Outro fato importante da história do Gabriela foi que o modelo marcou o ressurgimento da produção nacional de trólebus nos anos 1970, dando o primeiro passo para a consolidação da segunda geração de trólebus no Brasil. Na primeira grande decadência dos sistemas de trólebus brasileiros, com o crescimento da indústria automobilística e priorização das políticas para o transporte individual sobre o coletivo, o Brasil NÃO FABRICOU NENHUM TRÓLEBUS entre os anos 1970 e 1976.
Em 1977, no entanto, a CTA – Companhia de Trólebus Araraquara – encomendou e recebeu 5 unidades novas para o sistema local. Tratava-se de um CAIO Gabriela sobre plataforma Massari com equipamento elétrico Villares e componentes mecânicos da FNM/Fiat Diesel. A carroceria tinha o conceito monobloco integrada com o chassi. O comprimento era de 12 metros, havia três portas largas e a capacidade era para 106 passageiros, entre sentados e em pé.
O controle de tração elétrica era pneumático, e a suspensão do tipo mista. O conforto do modelo também chamava a atenção dos usuários e operadores. Logo em seguida, com o plano Sistran, de Olavo Setúbal, na capital paulista, surgira um novo conceito de trólebus. Mas, neste setor, o Gabriela tinha já dado sua contribuição.
Outra inovação, que só agora tem se tornado mais comum, é o de ônibus urbanos maiores, para linhas com mais lotação, com terceiro eixo, os chamados tribus, ou ônibus trucados.
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Ônibus urbanos de três eixos hoje são comuns. Mas na época do Gabriela, eram feitas adaptações. Era o sinal claro de que as cidades cresciam e precisavam de ônibus com maior capacidade.
Ônibus urbanos de três eixos hoje são comuns. Mas na época do Gabriela, eram feitas adaptações. Era o sinal claro de que as cidades cresciam e precisavam de ônibus com maior capacidade.
Nos anos 1970, não havia fabricação de chassis para urbanos nesse padrão. Mas alguns eram adaptados, e o CAIO Gabriela foi um dos modelos que acompanhou essa ideia, que mais tarde seria usada em maior escala nos serviços urbanos. Na maior parte das vezes com motorização traseira, era possível ver CAIO Gabriela de três eixos. Uma das empresas a usar esse tipo de ônibus, com carroceria Gabriela, foi a Redentor, do Rio de Janeiro.
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Em 1979, a Caio apresentava o Gabriela Expresso. A versão articulada tinha chassi Volvo e transportava em torno de 110 passageiros. Também havia modelos de dois eixos sobre chassis diferentes, como Volvo B 58 e Mercedes-Benz OH1517
Em 1979, a Caio apresentava o Gabriela Expresso. A versão articulada tinha chassi Volvo e transportava em torno de 110 passageiros. Também havia modelos de dois eixos sobre chassis diferentes, como Volvo B 58 e Mercedes-Benz OH1517
Sem dúvida, um dos maiores avanços dos transportes brasileiros, referência para os demais países, é o sistema de vias segregadas de ônibus expressos de Curitiba, no Paraná. Considerado o primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do mundo, sendo inspiração para outros projetos semelhantes em diversos países, o sistema expresso de Curitiba foi projeto pelo então prefeito Jaime Lerner, arquiteto e urbanista, sendo inaugurado em 1974, com ônibus da Marcopolo. Porém, o Gabriela faz parte da história desse sistema exemplar. Em 1979, a CAIO lança o “Caio Gabriela Expresso”, com motor no meio, Volvo B 58 e com dimensões maiores. O modelo poderia transportar até 110 passageiros, e foi considerado um dos carros ideais para o serviço diferenciado.
O Gabriela fez parte de uma época em que a indústria de ônibus engatava uma marcha mais acelerada e começava a se redefinir, desenvolvendo conceitos ainda hoje empregados.
O simpático modelo da CAIO encarroçou diversos chassis de diferentes configurações. Apareceria aí uma gama de soluções antes pouco empregadas, e uma nova postura da indústria ia surgindo, que era a de atender os operadores de acordo com suas necessidades locais. Não se pode comparar os pavimentos de cidades como Curitiba e São Paulo com de regiões mais interioranas e com menores recursos. Assim, as indústrias ouviam mais atentamente os empresários e gestores públicos e começavam a adotar uma cultura de diversificar produtos atendendo as demandas locais. Claro que esse processo não se deu da noite por dia, mas o CAIO Gabriela contribuiu com ele.
Apesar de sua versatilidade e da oferta maior de opções, a grande maioria dos CAIO Gabriela foi encarroçada sobre chassi LPO 1111 e LPO 1113, da Mercedes-Benz, predominante no mercado, na época. O chassi tinha um preço atrativo e a robustez para atender diversos mercados, desde os de operação mais simples até os que exigiam mais esforços e até danificavam mais os veículos. A manutenção era fácil, com grande rede de peças de reposição. Outros modelos também foram usados sobre as plataformas desse tipo da Mercedes-Benz, mas profissionais mais antigos do setor diziam que, com o Gabriela, esses chassis tinham um casamento perfeito.
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Apesar de a grande maioria dos Caio Gabriela ser encaroçada sobre chassi Mercedes-Benz, outras mecânicas marcaram a história do modelo, como o Fiat 140 OD, que recebeu a primeira e a segunda versão do ônibus.
Apesar de a grande maioria dos Caio Gabriela ser encaroçada sobre chassi Mercedes-Benz, outras mecânicas marcaram a história do modelo, como o Fiat 140 OD, que recebeu a primeira e a segunda versão do ônibus.
Havia, entretanto, Gabriela com mecânica Mercedes-Benz de motor traseiro, além de Fiat, FNM, Scania, Volvo.
Itaipu
Em 1977, chegava ao mercado o Caio Itaipu, mais sofisticado e que era usado em trajetos mais longos
Em 1977, também chegava ao mercado o Caio Itaipu ou popularmente chamado Gabriela Itaipu ou Gabriela Intermunicipal. O modelo era derivado da versão básica, mas tinha como característica a frente rebaixada, para-brisa ampliado e a caixa do letreiro foi transferida para o interior do ônibus. A versão foi usado inclusive no transporte rodoviário.
Quanto ao produto em si, o CAIO Gabriela liderou por quase uma década o mercado de ônibus urbano. Proporcionou à encarroçadora a consolidação do primeiro lugar no setor, posto ocupado até hoje pela CAIO, com algumas oscilações em determinados períodos.
Em algumas cidades, quase 100% da frota urbana, de fato, era de Gabriela.
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O Gabriela teve uma versão para a América Latina. O Caio Gabriela Andino foi encaroçado em diversos chassis de caminhão, como da Mercedes-Benz, Ford e Dodge
O Gabriela teve uma versão para a América Latina. O Caio Gabriela Andino foi encaroçado em diversos chassis de caminhão, como da Mercedes-Benz, Ford e Dodge
O CAIO Gabriela também levou a marca brasileira para diversos lugares do mundo, principalmente para nossos vizinhos da América Latina: Argentina, Paraguai, Chile, entre outros, aproveitavam das vantagens do Gabriela. Algumas versões para o mercado latino americano eram denominadas de Gabriela Andino, que contavam com mecânicas como Mercedes-Benz Dodge e Ford. A dianteira era a usada pelos caminhões de cada fabricante, com o cofre do motor externo, lembrando uma jardineira.
Ainda para América Latina, o Caio Gabriela também foi adaptado em chassi Scania B111, como este exemplar, no Peru.
Ainda para América Latina, o Caio Gabriela também foi adaptado em chassi Scania B111, como este exemplar, no Peru.
Vantagens mesmo:
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Além de ser um veículo inovador, com linhas mais retas e maior área de envidraçamento, propiciando mais visibilidade, mais conforto, com uma melhor disposição do espaço interno, para a época, por reforços feitos em algumas partes da estrutura, o Gabriela foi um modelo muito resistente. Quer maior exemplo do que alguns ônibus que hoje transportam trabalhadores rurais em diversas regiões do país? Uma boa parte é de CAIO Gabriela, alguns com mais de 40 anos de uso, enfrentando canaviais, áreas de plantação, estradas de terra e até passagens em áreas alagadas de baixa profundidade.
Há muito do que se falar sobre o CAIO Gabriela, mas esta matéria procurou enfatizar o essencial e destacar sua importância histórica.
Não é demais a comparação: no mundo dos automóveis de passeio, o Fusca, pela sua simplicidade, versatilidade, número de vendas papel histórico, não foi um clássico? No mundo dos transportes coletivos brasileiros, o CAIO Gabriela não deixa de ser um clássico. Ele foi, sem dúvida, um divisor de águas do mercado, e tornou reais conceitos até hoje empregados, como a estrutura básica de seu encarroçamento.
Em 1980, deixava de ser produzido para ser sucedido pelo modelo Amélia. Mas sua resistência era tão grande que muitos ainda operavam firmes em linhas urbanas regulares nos anos 1990.
Bem resistente e de uma época onde não se estipulava idade máxima de frota, o Gabriela durava muito, como este modelo do final dos anos de 1970, que ainda circulava na Capital Paulista no início dos anos de 1990.
Bem resistente e de uma época onde não se estipulava idade máxima de frota, o Gabriela durava muito, como este modelo do final dos anos de 1970, que ainda circulava na Capital Paulista no início dos anos de 1990.
E claro que o setor de fabricação de ônibus no Brasil, que se tornou um dos mais respeitados do mundo, avançou muito, e, hoje, pelas novas necessidades dos centros urbanos, que pedem veículos de maior capacidade e mais acessibilidade, com tecnologias mais limpas, talvez não haveria espaço para o velho Gabriela. Mas ele deixou um legado irrevogável para que a indústria brasileira alcançasse esse respeito.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sábado, 30 de julho de 2016

Marcopolo entrega 19 ônibus Viale BRT a Auto Viação Jabour

A Marcopolo, líder nacional e uma das principais fabricantes mundiais de carrocerias para ônibus, fará a entrega de 19 veículos superarticulados para a Auto Viação Jabour, do Rio de Janeiro. As unidades do modelo Viale BRT Articulado irão colaborar no serviço de transporte da capital fluminense com conforto, segurança e eficiência. 
Segundo Paulo Corso, diretor de operações comerciais e marketing da Marcopolo, a Auto Viação Jabour opera desde os anos 60 atendendo as distantes e remotas regiões dos bairros de Campo Grande. “Ficamos honrados com a escolha do modelo Viale BRT em mais essa renovação de frota. É uma parceria que temos há muitos anos e a Jabour é uma das maiores e melhores empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro e está presente nos principais corredores cariocas de BRT”, explica o executivo.  
Com 23 metros de comprimento, o ônibus Marcopolo Viale BRT articulado tem 52 poltronas do modelo City estofada com apoio de cabeça e capacidade para transportar mais de 150 passageiros em pé. Equipado com chassi Mercedes-Benz O500 MDA 3736, o veículo conta com sistemas de ar-condicionado, monitoramento de frota e de segurança dos passageiros, GPS e monitores de vídeo. 
O Marcopolo Viale BRT articulado é o modelo mais moderno em produção no Brasil e incorpora, entre outras tecnologias, o 2º eixo traseiro direcional, o que facilita as manobras e curvas em vias estreitas como os corredores exclusivos. O veículo oferece elevado padrão de conforto e segurança, com acessibilidade por rampa pela porta central, box para cadeirante, dois conjuntos de portas duplas para desembarque e pintura diferenciada.  
Internamente, o Viale BRT oferece mais conforto, ergonomia e segurança. A maior largura interna, associada à configuração das poltronas, proporciona maior área livre e facilita a circulação dos passageiros, tornando a viagem mais cômoda e confortável. A altura interna também foi aumentada, permitindo a inclusão de eficientes dutos de ar, alto-falantes e amplo espaço para propaganda nas laterais superiores. 
A concepção do Viale BRT é de um veículo robusto e extremamente confiável, imagem conquistada junto às pessoas que o utilizam, produto de excelente relação custo/benefício, atributo reconhecido pelos empresários do setor de transporte urbano de passageiros. Outras características importantes são a sustentabilidade do produto, praticidade e tecnologia embarcada.
FONTE: Marcopolo

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Em três meses, MP deve estipular cronograma para ônibus não poluentes em São Paulo

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Hoje a maior parte dos ônibus realmente não poluentes é formada por trólebus.
Órgão está colhendo dados de fabricantes para saber qual a capacidade produtiva da indústria e criar metas para a prefeitura e empresas de ônibus
ADAMO BAZANI
Em aproximadamente três meses, o Ministério Público de São Paulo deve assinar com a Prefeitura da capital paulista, empresas de ônibus e fabricantes de veículos menos poluentes um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para determinar a implantação de uma frota de ônibus menos poluentes em São Paulo.
A informação foi confirmada pelo promotor Marcos Lúcio Barreto, que em dezembro instaurou uma ação para determinar que a prefeitura estipule um cronograma de substituição da frota atual movida apenas com óleo por veículos elétricos, trólebus, híbridos a gás natural, etanol, biocombustíveis, entre outras alternativas.
Conforme apurou o Blog Ponto de Ônibus, o órgão realiza consultas aos fabricantes para verificar a capacidade produtiva da indústria deste tipo de ônibus. Entre os fabricantes ouvidos, estão os associados à ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico, que reúne entre os produtores de ônibus, a Eletra, BYD e Volvo.
Também devem ser ouvidos fabricantes de motores de ônibus a etanol, biodiesel e gás natural.
A Scania, por exemplo, desenvolve no Brasil a capacidade de produção de ônibus a biometano ou GNV na planta de São Bernardo do Campo e está interessada no mercado paulistano.
Já a Mercedes-Benz junto com a Amyris desenvolveu a possibilidade de os ônibus serem movidos por óleo diesel feito a partir de cana-de-açúcar, que não é etanol e pode ser usado nos atuais motores.
A empresa de origem chinesa BYD, que se instalou em Campinas, no interior de São Paulo, testa o ônibus 100% elétricos a bateria na capital paulista. A Volvo, de Curitiba, disponibiliza ônibus elétricos híbridos e a Eletra, de São Bernardo do Campo, oferece trólebus, ônibus híbridos e desenvolve um ônibus 100% elétrico articulado com recarga rápida em estações no meio do trajeto.
A lei 14.933/09, chamada Lei de Mudanças Climáticas, determina que em 2018 nenhum ônibus da capital paulista dependa exclusivamente de óleo diesel para se movimentar.
No entanto, a troca da frota deveria ser gradativa desde 2009, com a substituição de ao menos 10% do total de ônibus da cidade por ano. Hoje menos de 4% dos ônibus são menos poluentes, o que inclui 395 veículos com mistura A10, ou seja, 10% de cana-de-açúcar ao óleo diesel, 201 trólebus e 60 ônibus a etanol. O Blog Ponto de Ônibustambém tinha mostrado que alguns ônibus a etanol da Scania operados pela MobiBrasil serão reformados. Relembre:https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/12/18/onibus-a-etanol-sao-reformados-em-sao-paulo-e-empresa-estuda-colocar-veiculos-eletricos-na-zona-sul/
Em diversas declarações anteriores, o secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse que a indústria não teria condições de atender a demanda da frota de São Paulo, que hoje gira em torno de 15 mil ônibus.
Com a licitação, devido à racionalização de linhas, a frota de ônibus deve cair para em torno de 13 mil veículos.
No entanto, ainda é muito e, de acordo com secretário, seria impossível cumprir a Lei de Mudanças Climáticas.
O Ministério Público de São Paulo quer saber o quanto a indústria de ônibus menos poluentes pode realmente produzir e assim, com esses dados em mãos, colocar uma nova meta para o poder público e empresas.
Outra questão importante é a financeira. Essa troca acarretaria em maiores custos para o sistema por causa do preço maior dos veículos em comparação com os convencionais, aumentando a necessidade inicial de subsídio. Mas pelos dados que o promotor teve acesso, esse subsídio vale a pena pelo fato os custos com saúde pública serem altamente impactados por causa da poluição.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Padre Miguel

TRANSPORTES PADRE MIGUEL
Hoje o Vitor Otávio Bus apresenta o especial da Transportes Padre Miguel, empresa atuante na linha 875 (Campo Grande - Cascadura) com seus modelos Caio Foz Super Mercedes Benz OF-1418 e Apache S21 Mercedes Benz OF-1721 motor OM-366