Esta semana a Transportes Campo Grande adquiriu 10 unidades do Marcopolo Torino 2014, oriundos da empresa Rodoviária Matias para substituir os modelos Neobus Mega baixados em 2015. Essas 10 unidades estão em operação na 397 (Campo Grande - Candelária).
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sábado, 8 de abril de 2017
Após cinco anos e R$ 10 milhões, ônibus a hidrogênio do Rio está apto a operar comercialmente
Custo por quilômetro foi de US$ 2,61, diz universidade
Veículo é híbrido e utiliza energia elétrica a partir da geração pelo hidrogênio. Outra proposta quer eletrificar o transporte escolar
ADAMO BAZANI
A Coppe/UFRJ, que é a faculdade de engenharia e tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, informou nesta semana que o ônibus híbrido elétrico-hidrogênio, desenvolvido por meio de uma parceria entre instituição de ensino, Furnas e Tracel já está pronto para operar comercialmente, do ponto de vista técnico.
De acordo com os resultados apresentados na última quarta-feira, 5 de abril de 2017, no Rio de Janeiro, a autonomia do veículo é de 330 km e a disponibilidade para tráfego foi de mais de 90%. Nos 10% restantes, o veículo precisou de reparos ou manutenções preventivas. Este tempo não conta o período em que o ônibus ficou parado para desenvolvimentos e atualizações. Foram três fases até agora
Ainda de acordo com os resultados apresentados, o consumo foi de 6,7 kg de hidrogênio a cada 100 km, com o ar condicionado ligado.
Os testes começaram em 2012, por meio do programa de Pesquisa & Desenvolvimento da Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica.
Foram percorridos em torno de 8 mil km e mais de 30 mil pessoas foram transportadas. O ônibus transportou estudantes no Campus, mas também fez trajetos especiais como o deslocamento de atletas para Vila Olímpica, nas Olimpíadas de 2016 do Rio.
Os custos foram de R$ 10 milhões, até o momento.
Ainda de acordo com a universidade, o custo total por quilômetro percorrido foi de US$ 2,61, contando com a manutenção, equipamento e consumo.
O veículo possui carroceria Urbanuss Pluss, da Busscar.
Se o ônibus está apto do ponto de vista técnico, ainda há muito oque fazer para que o Brasil tenha uma frota operacional de fato de ônibus movidos a partir do hidrogênio.
A universidade diz que as inovações tecnológicas ainda precisam ser consolidadas e mais testes de longa duração devem ser realizados. Outro aspecto apontado como necessário é a criação de capacidade tecnológica do parque fabril brasileiro.
O projeto ainda abrange um ônibus híbrido movido a etanol e eletricidade e também uma unidade totalmente elétrica, funcionando apenas com bateria.
No caso do ônibus totalmente elétrico, a fase de testes deve terminar neste ano. O veículo foi planejado para o transporte escolar e vai ser mostrado para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para conseguir financiamentos a fim de entrar em escala.
O objetivo é no futuro, ao menos nas áreas urbanas, eletrificar o transporte escolar.
EM SÃO PAULO:
Na região metropolitana de São Paulo, existem quatro ônibus híbridos elétricos/hidrogênio, mas nenhum deles está em operação.
Com portas lacradas por fitas, os ônibus estão no pátio da concessionária Metra, operadora do corredor ABD, que não é responsável pelo projeto.
O projeto teve custo total de mais de US$ 16 milhões, como aponta o próprio site da agência do Governo Federal que financia pesquisa e inovação, a Finep, sendo na época US$ 12,3 milhões do Global Environment Facility (GEF), aplicados por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e R$ 8,4 milhões da Finep.
O primeiro veículo foi apresentado à população no dia 1º de julho de 2009. Na época, o governador de São Paulo era José Serra e a promessa era de que até 2011 a rotina dos transportes seria marcada por esses ônibus que em vez de soltarem fumaça, emitem vapor d’água durante a operação.
O ônibus quase nem rodou em testes no Corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, na zona leste da capital paulista, ao Jabaquara na zona sul, por municípios do ABC. A capacidade de passageiros era pequena, 63 pessoas entre sentadas e em pé. A lotação limitada se dava porque os tanques e todo equipamento para células de hidrogênio ficavam na parte de trás, roubando espaço interno. Mas os problemas não foram apenas estes: baixo desempenho e custos tornavam o projeto, desafiador, no mínimo.
Apesar de a apresentação do primeiro veículo ter ocorrido em 2009, o chamado “Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio” teve origem em 16 de janeiro de 2002, quando foi publicada a manifestação de interesse para avaliação do mercado e tentativa de formação de Consórcios para desenvolvimento e fabricação dos veículos.
O projeto continuou até que em 15 de junho de 2015, às 10h, e, no mínimo quatro anos de atraso, o governador Geraldo Alckmin participava do lançamento de três novos modelos, também com carroceria Marcopolo e chassi do Grupo Tutto já sob nova direção.
Os veículos ficaram mais modernos. Não havia mais o problema de espaço interno reduzido, já que os equipamentos e os tanques de hidrogênio ficaram na parte superior do ônibus.
Nasceu assim a expectativa de o projeto deslanchar e, finalmente, os passageiros andarem nos veículos. Uma nova estação de abastecimento também foi apresentada dentro da garagem.
Apesar de os quatro ônibus estarem parados, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos considera o projeto um sucesso pela inovação e ganhos de conhecimento e cogita a continuidade dos estudos.
A EMTU diz que o projeto tinha vigência até 31 de março de 2016 e confirmou a intenção de estabelecer novas fases. Mesmo com os veículos hoje não transportando passageiros, a gerenciadora considerou o projeto um sucesso já que trouxe conhecimento técnico e desenvolvimento à indústria nacional e informou que o plano de expansão da frota de veículos movidos a hidrogênio depende da implantação de uma rede nacional de fornecedores de peças e componentes e também de mecanismos de incentivos governamentais para que as empresas operadoras do transporte público possam se interessar pelo programa.
A incorporação da tecnologia de produção de hidrogênio a partir da reforma de gás natural está na mira da gerenciadora, mas ainda sem data. Essa proposta é composta pelo desenvolvimento de uma planta de produção de hidrogênio, a partir da reforma de gás natural, para utilização em veículos de transporte público de passageiros da EMTU/SP
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
Polícia acionada para mandados de reintegração de posse de ônibus usados pela Itapemirim/Kaissara alugados pela JSL
Contenda com entre as duas empresas vem desde o ano passado. Atual gestão diz que causa são erros do contrato feito pela gestão anterior
ADAMO BAZANI
A Polícia Militar foi acionada pela Justiça para dar apoio ao cumprimento nesta sexta-feira, 07 de abril de 2017, de mandados de reintegração de posse de ônibus que são operados pela Itapemirim e Kaissara.
De acordo com as informações iniciais da polícia, são ao menos 30 ônibus.
A ação ocorre num estacionamento de ônibus que é usado pelas empresas que servem o Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte da capital paulista. O local é chamado de “Mangueirão do Tietê”.
Os veículos pertencem ao Grupo JSL – Júlio Simões, que alugou os ônibus para a Itapemirim e para a Kaissara.
De acordo com o site do Tribunal de Justiça de São Paulo, a requisição de força policial foi expedida hoje

A juíza Adriana Bertier Benedito, da 36ª Vara Cível de São Paulo, negou recurso que na prática, impediria a reintegração.
Recebo os embargos de declaração, pois tempestivos, mas no mérito deixo de acolhe-los por não estarem presentes as hipóteses do art. 1022, do Código de Processo Civil, tratando-se de mero inconformismo da parte embargante, o que desafia a propositura do recurso processual adequado e não de embargos declaratórios.Fls. 2544/2545: de acordo com as normas processuais vigentes, caso dois juízes se dêem por competentes para julgar determinado processo. Esta ação de reintegração de posse foi aqui distribuída e em momento algum declinei da competência, de modo que qualquer outro juízo que também se der por competente para o processo, deverá agir nos termos do art. 953 do CPC.Intime-se.
Advogados(s): Aline Fontes Alves Cordeiro Teixeira (OAB 230300/SP), Fabricio Rodrigues Calil (OAB 234380/SP), Flávia Yasmin Santos Rocha (OAB 380905/SP)
Advogados(s): Aline Fontes Alves Cordeiro Teixeira (OAB 230300/SP), Fabricio Rodrigues Calil (OAB 234380/SP), Flávia Yasmin Santos Rocha (OAB 380905/SP)
Em maio de 2016, o Diário do Transporte já havia noticiado em primeira mão os impasses entre a Itapemirim/Kaissara e a JSL, que alega atrasos no pagamento dos aluguéis dos ônibus.
A primeira determinação de reintegração de posse ocorreu em 18 de maio de 2016, pela juíza Adriana Bertier Benedito, da 36ª Vara Cível – Foro Central Cível de São Paulo. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/05/19/justica-determina-reintegracao-de-posse-para-jsl-de-170-onibus-usados-pela-kaissara/
A ação ocorre um dia depois da entrevista coletiva na qual os empresários Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente da companhia, se apresentaram como novos donos do grupo da Itapemirim, que envolve as empresas Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.
Estas empresas e a Kaissara estão em recuperação judicial.
A Kaissara foi incluída na recuperação pela Justiça depois de surgirem indícios de que a empresa era da família Cola, mas estava registrada em nome de funcionários que, no entendimento da Justiça, poderiam ser “laranjas”.
As dívidas do grupo são de R$ 336,49 milhões e mais quase R$ 1 bilhão em impostos.
Ao Diário do Transporte, o departamento jurídico da Itapemirim considera a ação arbitrária e diz que tudo ocorreu por causa de um “contrato ruim” feito pela gestão anterior da empresa, até então sob a responsabilidade de forma oficial da família do fundador, Camilo Cola. Os novos controladores da empresa afirmam ainda que cancelaram o contrato com a JSL
“A contenda judicial com a JSL é antiga, mas originária de um contrato muito ruim feito pela gestão anterior. Não se trata de busca e apreensão e sim, reintegração de posse. Tal situação já foi objeto de recurso e o TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo está analisando. O fato de serem expedidos mandados para reintegração e veículos operacionais é um ato arbitrário, uma vez que o destino de tais carros é de competência do Juízo da Recuperação Judicial.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Empresas de ônibus do Rio de Janeiro têm R$ 3,5 bilhões para comprar veículos com ar condicionado e não fizeram, diz MP
Ônibus sem ar-condicionado ainda são maioria na cidade do Rio
Companhias afirmaram que vão avaliar o cálculo do Ministério Público e que contrato não exigia equipamentos
ADAMO BAZANI
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou que as empresas de ônibus da capital fluminense acumularam nos últimos quatro anos, R$ 3,5 bilhões para comprar os veículos com ar-condicionado que deveriam ser integralmente implantados na frota municipal até o final do ano passado. O valor seria suficiente, ainda de acordo com o órgão, para adquirir 9.576 ônibus e é referente ao cálculo da tarifa já levando em conta os gastos com a renovação.
As informações foram divulgadas pela TV Globo
A frota atual do Rio de Janeiro é de 8,1 mil ônibus.
O Ministério Público anexou o cálculo, com base em planilhas oficiais, no processo que corre na 8ª Vara de Fazenda do Tribunal de Justiça.
O órgão pede intervenção da prefeitura nos contratos em um mês e aumento da multa para cada ônibus sem ar-condicionado, hoje estipulada em R$ 20 mil. Os promotores também querem auditoria nos contratos com as empresas de ônibus.
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a prefeitura tem se esforçado pouco para cobrar o acordo firmado com as companhias de transporte.
A prefeitura rebate e diz que não é possível haver intervenção nas empresas de ônibus e que tem negociado com aswviações.
Já o Rio Ônibus, sindicato que reúne as companhias, diz que no dia 31 de março recebeu ofício da secretaria de transportes solicitando a compra emergencial de um lote de ônibus novos. O total seria de 196 veículos com ar-condicionado a ser colocados em circulação em 90 dias.
O sindicato afirmou que as respostas serão apresentadas dentro dos prazos estipulados e que o contrato de concessão, assinado em 2010, não exigia a instalação de ar-condicionado. Mesmo assim, para tentar cumprir parte do acordo de 2013, os consórcios de empresas aumentaram a frota de veículos com equipamento de refrigeração em 272%.
Sobre o valor de R$ 3,5 bilhões, o Rio Ônibus afirmou que as empresas estão analisando o cálculo do Ministério Público.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
Neobus vende 50 ônibus rodoviários para grupo peruano de transporte
Ônibus são de chassi Volvo B380R
Veículos farão rotas interprovinciais de turismo
ADAMO BAZANI
A Neobus, encarroçadora de ônibus pertence à Marcopolo, anunciou nesta quarta-feira, 05 de abril de 2017, que vendeu 50 rodoviários do modelo Neobus New Road N10 340 para o Grupo SOYUZ, um dos maiores do Peru.
Os veículos serão utilizados para linhas rodoviárias turísticas com destino à cidade de NAZCA, reconhecida mundialmente como “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO.
O grupo transportador reúne as empresas Soyuz e Perúbus
De acordo com o diretor da Neobus, Alexandre Pontalti, o Peru se tornou um dos principais mercados compradores de ônibus rodoviários da América Latina, com destaque para os modelos fabricados no Brasil.
“É muito importante ampliar a nossa presença naquele mercado. Serão 45 unidades para a Soyuz e cinco para a Perúbus” – comentou o executivo.
Em nota, a Neobus cita algumas especificações do modelo comercializado para as duas empresas.
O Neobus New Road N10 340 tem capacidade para transportar 59 passageiros em poltronas do tipo Executiva reclináveis. Com 13.200 mm de comprimento total, encarroçado sobre chassi Volvo B380R, o modelo possui sistema de audiovisual com cinco monitores, faróis em LED, sistema multiplex, painel totalmente funcional e moderno, e iluminação dos porta-focos. As poltronas, largas e confortáveis, proporcionam viagens tranquilas em um ambiente interno agradável e moderno.
O New Road N10 é equipado com computador de bordo de série, com painel com 56 teclas para a operação e tela de LCD de 7 polegadas touch screen. A central faz todo o controle do sistema de áudio, vídeo e entretenimento do salão de passageiros. O equipamento conta com DVD, rádio, CD, MP3, TV digital, GPS e vem preparado com o sistema de gerenciamento de frota.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Sindicato não recorre contra venda Busscar para sócios da Caio
O “gigante” Panorâmico DD da Busscar desperta atenção de investidores
Entidade, mesmo acreditando que o valor de aquisição tenha sido baixo, no momento entende que foi a solução foi a melhor para trabalhadores
ADAMO BAZANI
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville, que representa os ex-funcionários da encarroçadora de ônibus Busscar, confirmou de maneira oficial que não vai recorrer para que haja impugnação da venda da empresa para sócios da encarroçadora de ônibus Caio, que tem sede em Botucatu, no interior de São Paulo, e presença predominante no segmento de ônibus urbanos.
O grupo que integra a Caio, após longa negociação judicial finalizou a compra da Busscar por R$ 67,15 milhões recebendo a homologação do juiz da 5ª Vara Cível de Joinville, Valter Santin Júnior, no dia 21 de março. O montante foi dividido em um sinal de R$ 9,4 milhões e mais 50 parcelas do restante pelos próximos quatro anos, compreende as unidades da Busscar em Joinville, Pirabeiraba e Rio Negrinho, assim como seus terrenos, edificações, maquinário e móveis, além da maca. As parcelas terão correção monetária.
Na primeira tentativa de leilão do ano de 2016, a Busscar foi avaliada em R$ 369.305.922,65 (trezentos e sessenta e nove milhões, trezentos e cinco mil, novecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos).
O Sindicato dos Mecânicos calcula que a dívida trabalhista em torno da Busscar é de cerca de R$ 250 milhões.
Em nota oficial, a diretoria da entidade diz que, apesar de considerar o valor de aquisição baixo, a compra pelos sócios da Caio foi a melhor alternativa possível. Não havia obrigação, por exemplo, de o comprador produzir ônibus, algo que o grupo da Caio vai fazer, com ênfase para modelos rodoviários. Os maquinários também estão defasados e há necessidade de melhorias nos imóveis
A decisão da diretoria de não impugnar a venda não foi fácil. A preocupação é a de todos, este valor não satisfaz os créditos trabalhistas.
Esta decisão foi definida com base no histórico da empresa e do processo judicial, um dos maiores já vistos no Brasil, mas também em pareceres de especialistas e economistas sobre o futuro da economia.
O quadro econômico de recessão e alto desemprego com a queda de quase 8% no PIB – Produto Interno Bruto em 2016 (tudo o que se produz no país) que prevê continuidade da crise e previsão de crescimento zero este ano, ou até mais uma queda no PIB, também foi colocado na mesa de discussões da diretoria.
Especialistas em processos de compra e venda de empresas, falidas ou em processo de falência foram consultados e avaliam que, pelo menos a curto prazo, não há expectativa de melhora na economia e, quanto mais o tempo passa, menor ficará o valor dos bens e parque fabril, reduzindo os valores a serem divididos e inviabilizando a retomada de produção, haja vista a depreciação (perda de valor) e sucateamento dos equipamentos e materiais e, especialmente, o custo da manutenção da massa falida.
Sobre o valor da venda:
Em parecer, o Dr. Agenor Daufenbach Junior – Advogado e Administrador Judicial atuante em falências e recuperações judiciais pelo Estado e que bem conhece o processo da Busscar, assim avalia a situação:
“A alegação de que a empresa vale mais, na verdade, já está nos autos desde sempre, com a avaliação feita pelo perito judicial indicado pelo Administrador judicial.
Não por menos que o Magistrado faz longo arrazoado sobre os custos de manutenção e etc.
O argumento de que somente o imóvel valeria algo em torno de 200 milhões, pode até ser verdadeiro, mas se sabe que, para que se alcance este valor deveria estar em área edificável, e pelo Plano Diretor, aquela área é Industrial. Além do que, sabe-se que qualquer empresa ao se instalar em uma cidade, ganha o imóvel, terraplanagem, isenção de impostos e etc, como ocorreu com a BMW em Araquari, que se instalou a beira da BR 101, sem o custo de 1 centavo. Outro ponto, que considerar a venda para o não aproveitamento de uma planta industrial para fabricar ônibus, ou outra qualquer, se teria o custo de “desinstalar”, ou seja, por abaixo e afora todas as instalações e maquinários, que por sua vez perderiam qualquer valor. Haveria investidor com 200 mil para isso? Por este valor não se faria um novo “Periri Bussines Park”? (…)Por fim: Caso seja positiva uma impugnação, há certeza de que um outro comprador aparecerá? e pagará mais do que é ofertado? E enquanto isto não ocorre, a Massa seguirá com os custos de manutenção além da seguida depreciação das instalações e equipamentos? Será o Sindicato responsável pela resolução disto? Afinal é isto que se deverá afirmar para sustentar uma impugnação. Deve ser refletido com cuidado, para não chamar para si esta responsabilidade.”
Sem vislumbrar um horizonte seguro para o adiamento da venda, também porque não é certa a modificação da decisão ora proferida, pelo Tribunal de Justiça, se fosse o caso, a decisão foi de não recorrer.
O apelo jurídico para pagamento igualitário:
O Sindicato dos Mecânicos vai continuar na luta para que todos os trabalhadores e trabalhadoras sejam contemplados de forma igual ou proporcional.
Neste momento e por tudo o que foi vivenciado neste processo, entendemos que melhor centrar na discussão de divisão de valores, do que ainda impugnar a venda, sem a certeza de que no futuro teríamos outra decisão.
Para isso, quando da liberação de valores, pretendemos protocolar nova petição fazendo este apelo ao magistrado, já que pelo mesmo princípio que homologou a venda, também é possível a interpretação para o tratamento igualitário, haja vista a situação especifica destes trabalhadores neste processo falimentar.
Este mesmo pedido foi apresentado no final de 2016, quando o Juiz liberou o valor R$ 18 milhões para pagamentos dos credores trabalhistas, contemplando apenas os credores extraconcursais. Mantida a sua decisão, foi apresentado o recurso de Agravo ao Tribunal de Justiça, com esta finalidade, de contemplar a todos os trabalhadores.
Na nossa opinião, se mantido este entendimento, a decisão não faz justiça plena, pois deixa grande parte dos trabalhadores, que de igual forma contribuíram para construção do patrimônio da empresa, sem nada receber.
BREVE HISTÓRICO:
A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.
Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.
Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.
No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.
Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.
A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.
Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss e os urbanos da linha Urbanuss.
Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários.
Em janeiro de 2010, a Busscar criou um programa de demissões voluntárias para redução de custos. Ainda em crise, a empresa atrasou salários e benefícios, o que motivou uma greve em 15 de abril de 2010.
Para saldar dívidas, os primeiros bens da Busscar foram leiloados em setembro de 2011. A expectativa era arrecadar R$ 1,5 milhão, mas só foi possível conseguir R$ 21 mil.
No dia 3 de novembro de 2011, o juiz Maurício Cavallazi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville, aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela Busscar. No dia 31 de dezembro de 2011, a empresa apresentou o plano.
No entanto, não houve os resultados e o plano não se mostrou viável. Em junho de 2012, a Justiça determinou que fosse apresentado um novo plano.
Não houve resultados positivos novamente.
Depois de uma dívida que se aproximou de R$ 2 bilhões, contando juros, impostos e débitos com fornecedores, trabalhadores e bancos, a empresa teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012 pelo juiz Maurício Cavalazzi Povoas. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013. A família Nielson chegou a apresentar um novo pedido de recuperação judicial, mas o juiz Luis Felipe Canever, de Santa Catarina, após negativa por parte dos credores, decretou no dia 30 de setembro de 2014, nova falência da encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do Brasil.
Os negócios continuam na América Latina com a atuação em parceira de outros grupos, com destaque para as operações na Colômbia.
A Busscar Colômbia foi formalizada no ano de 2002 sendo fruto de uma aliança entre a indústria local Carrocerías de Occidente, empresa fundada em 1995, e a Busscar Ônibus do Brasil, fundada pela família Nielson em 17 de setembro de 1946.
Foram várias tentativas de leilão da Busscar, três somente em 2016. Todas esvaziadas. A cada uma delas, o valor caía.
– Primeira tentativa: 15 de março de 2016, as três unidades fabris (Unidade Joinville SC – Fábrica de Carrocerias / Unidade Pirabeiraba – Joinville SC – Fábrica de Peças / Unidade Rio Negrinho SC – Fábrica de Peças) custariam R$ 369.305.922,65 (trezentos e sessenta e nove milhões, trezentos e cinco mil, novecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos)
– Segunda tentativa: 29 de março de 2016. O valor seria de R$ 221,5 milhões (incluindo ativos reivindicados na Justiça, e incertos) ou, na prática, R$ 176,5 milhões (descontados os ativos) por todas as empresas do grupo. – 60% do valor do primeiro leilão
– Terceira Tentativa: No dia 8 de julho, terminou sem lance o terceiro leilão da empresa. Seria aceita oferta de quantia igual ou superior a 49% do valor da avaliação- do primeiro leilão. R$ 133.151.088,11. Também sem propostas.
No final de outubro de 2016, foi apresentada uma proposta de compra por R$ 67,15 milhões por um grupo de investidores com o objetivo de retomar as produções em meados de 2017.
Em dezembro do mesmo ano, foi liberado um lote de R$ 18 milhões para saldar parte das dívidas trabalhistas.
Também em dezembro de 2016, dois grupos internacionais, o português a Imparável Epopeia UniPessoal Ltda e o chinês Liaoyuan Group demonstraram interesse na compra da Busscar.
Em 07 de janeiro de 2017 terminou o prazo para as empresas estrangeiras apresentarem a documentação exigida.
A proposta ficou somente pelo grupo da Caio. No dia 08 de janeiro, advogado da Caio esteve em Joinville e confirmou valor proposto de R$ 67,15 milhões.
Em 21 de março de 2017, o juiz da 5ª Vara cível de Joinville, Valter Santin Júnior, aprovou em sentença definitiva a compra da Busscar por sócios da Caio, encarroçadora de ônibus de Botucatu/SP, que tem como principal sócio o Grupo Ruas, de empresas de ônibus de São Paulo. O valor da compro foi de R$ 67,15 milhões. O montante foi dividido em um sinal de R$ 9,4 milhões e mais 50 parcelas do restantepelos próximos quatro anos, compreende as unidades da Busscar em Joinville, Pirabeiraba e Rio Negrinho, assim como seus terrenos, edificações, maquinário e móveis, além da maca. As parcelas terão correção monetária.
No dia 22 de março de 2017, os sócio-diretores da Caio/Induscar Marcelo Ruas e Maurício Lourenço da Cunha foram à Joinville, em Santa Catarina e assinaram o documento de compra da Busscar, na 5ª Vara Cível na cidade.
Em 28 de março de 2017, a assessoria de comunicação da Caio informou, em primeira mão ao Diário do Transporte, que na compra também envolveu a marca Busscar.
No dia 29 de março de 2017, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville decide não impugnar a venda. Mesmo o valor de R$ 67,15 milhões sendo bem abaixo que os débitos trabalhistas de R$ 250 milhões, a entidade disse acreditar ser a solução mais concreta de um problema que se arrasta há anos. Um eventual outro comprador, por exemplo, poderia não produzir mais ônibus, usando os imóveis para outros fins.
CAIO “NAMORAVA” HÁ MUITO TEMPO A BUSSCAR:
O namoro entre a empresa de Botucatu, atualmente especializada apenas em ônibus urbanos, e que não preenche o mercado de ônibus rodoviários, é antigo.
Em 2007, a Caio já havia procurado sócios da Busscar para uma fusão. As negociações não avançaram.
Em setembro de 2011, antes mesmo da falência da Busscar, a Caio já tinha confirmado interesse na encarroçadora de Joinville. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2011/09/28/busscar-caio-fala-em-primeira-mao-com-blog-ponto-de-onibus/
Em outubro daquele ano, porém, a Justiça indeferiu a proposta da Caio que previa pagamento de R$ 40 milhões pelo complexo.
Em 15 de fevereiro de 2012 foi anunciada a criação de uma joint venture formada pelos acionistas das duas gigantes da produção de carrocerias de ônibus: Caio e Marcopolo.
A parceria envolve a Twice Investimentos e Participações, integrada por acionistas da Caio Induscar, e a controlada da Marcopolo, Syncropats Comércio de Distribuição de Peças Ltda.
Em 2013, a Caio voltou a apresentar outra proposta, desta vez para aluguel da Busscar.
Esta proposta também foi recusada pela justiça. Todas as propostas foram apresentadas em período anterior à crise econômica.
As empresas propuseram à Quinta Vara Cível de Joinville, que cuida do processo de falência da Busscar, o aluguel/arrendamento do Parque Fabril da companhia.
Para isso, pagariam um valor de R$ 300 mil por mês. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2013/02/28/caio-e-marcopolo-querem-alugar-a-busscar/
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
terça-feira, 4 de abril de 2017
Marcopolo conclui a compra de 100% da australiana Volgren
Urbano de dois andares da Volgren, que também faz urbanos convencionais, articulados e ônibus rodoviários, um deles, é o Audace, da Marcopolo
Empresa brasileira amplia assim atuação geográfica, procurando novos mercados
ADAMO BAZANI
A encarroçadora brasileira de ônibus Marcopolo anunciou ao mercado nesta segunda-feira, 03 abril de 2017, que concluiu a compra integral da fabricante australiana de ônibus Volgren.
A conclusão do negócio ocorreu após a brasileira exercer a opção de compra da participação remanescente, equivalente a 25%, de sua controlada australiana Pologren Australia Holdings Pty Ltd.
Em comunicado ao mercado, a Marcopolo ressalta que a compra ocorre no momento em que a Marcopolo busca diversificar sua atuação geográfica no mundo diante da retração do setor de veículos pesados no Brasil. Hoje a Fenabrave divulgou que as vendas de todas as marcas de ônibus continuam em queda. No primeiro trimestre, a retração nos emplacamentos foi de 24,55% Veja: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/03/vendas-de-onibus-registram-queda-de-245-no-primeiro-trimestre-de-2017/
A compra ocorreu por 8,5 milhões de dólares australianos (US$ 6,3 milhões) ou R$ 19,6 milhões pela cotação de hoje.
A Volgren foi criada oficialmente em 1977. A marca é resultado da união dos nomes Volvo e da Grenda – Coorporação Grenda, de George Grenda, transportador que se tornou representante da marca sueca. Em 1987, a parceria chegou ao fim e a Volgren não era mais exclusiva da Volvo.
Em fevereiro de 2012, a Corporação Grenda, ainda atuando no ramo de transportes, vende a participação majoritária para a Marcopolo, que agora, em 03 de abril de 2017, anuncia a aquisição total.
Acompanhe o comunicado da Marcopolo ao mercado:
COMUNICADO AO MERCADO
MARCOPOLO S.A. (BM&FBovespa: POMO3, POMO4) vem informar aos seus acionistas e ao mercado em geral que exerceu a opção de compra da participação remanescente, equivalente a 25%, de sua controlada australiana Pologren Australia Holdings Pty Ltd., detentora da totalidade do capital social da empresa Volgren Australia Pty Ltd. (“Volgren”). A aquisição foi realizada pelo valor de A$ 8,5 milhões (dólares australianos).
A consolidação integral da participação na Volgren reafirma o comprometimento da Marcopolo com a diversificação geográfica de seus mercados, cuja importância foi reforçada em um cenário de retração do mercado brasileiro. Em 2016, a Volgren vendeu 471 unidades e obteve receita líquida de R$ 367,3 milhões, um incremento de 10,1% e 11,8%, respectivamente, em relação ao ano anterior.
Caxias do Sul, 03 de abril de 2017.
Marcopolo S.A.
José Antonio Valiati
Diretor de Relações com Investidores
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
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