segunda-feira, 5 de março de 2018

HISTÓRIA: Massari, a base do Papa-Fila

Papa-Fila da CMTC, na Capital Paulista
Empresa juntamente com a FNM contribuiu para o desenvolvimento do transporte por ônibus com maior capacidade, mesmo a experiência não tendo o retorno esperado
ADAMO BAZANI
Papa-Fila da CMTC nos anos de 1960, próximo ao Mappin, na região Central e ônibus superarticulado no mesmo local em 2016
Entre os anos de 1950 e 1960, um personagem muito peculiar ganhou as páginas da história dos transportes e a paisagem de grandes cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Santos, Porto Alegre, Brasília e Rio de Janeiro: eram os gigantes papa-filas, que consistiam em carrocerias para passageiros tracionadas por cavalos mecânicos.
Foi uma tentativa de dar uma resposta rápida à necessidade de ônibus com maior capacidade frente ao crescimento das cidades. Algumas linhas já necessitavam de veículos maiores e os ônibus da época tinham dimensões reduzidas para uma demanda de passageiros em expansão.
A invenção não é brasileira. Os primeiros registros de Papa-Filas foi nos Estados Unidos, na época da Segunda Guerra Mundial, para transportar funcionários da GM e, posteriormente, até tropas.
O desafio foi assumido entre 1955 e 1956 pela FNM, que fabricava o cavalo mecânico, e pela Massari, empresa de São Paulo, que fazia os chassis destas grandes carrocerias.
A Massari S.A. Indústria de Viaturas tinha sido fundada na capital paulista poucos anos antes, em 1953, pelos italianos Romulo Massari, Acchile Biselli e Walmor Ferraretto. A empresa era especializada em carrocerias de caminhão e implementos rodoviários.
O Papa-Fila tinha capacidade para transportar em torno de 60 pessoas sentadas, algo grandioso para os padrões de capacidade dos ônibus urbanos da época.
A CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da Capital Paulista, sempre inovadora e que apostava em soluções até então pouco vistas no mundo dos transportes, adquiriu 50 unidades. O Papa-Filas recebeu carrocerias de fabricantes como Caio, Cermava e Grassi.
As expectativas foram grandes em relação a estes “híbridos” de ônibus com caminhões.
Mas com o tempo, o Papa-Fila acabava se mostrando pouco viável. Os veículos eram lentos, barulhentos e desconfortáveis e, por mais que a Massari investisse para deixar os chassis mais aptos possíveis para o transporte de passageiros, os solavancos e vibrações eram intensos.
Algumas unidades de Papa-Fila rodaram pelo Brasil em transportes urbanos até os anos 1970.
Por causa da flexibilidade do chassi e também por opção dos operadores de ônibus, muitas vezes poderiam ser vistas carrocerias sendo tracionadas por cavalos mecânicos que não eram da marca FNM.
Papa-Fila da Paranapuan, no Rio de Janeiro.
Papa-Fila na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília
FOTO 4: Rodoviária do Plano Piloto em 8 de outubro de 1967, com linhas de “Papa- filas” para Taguatinga (via Núcleo Bandeirante) e Gama (via Eixo). Arquivo Novacap.
Propaganda de “A Veloz S.A.”, representante da FNM em São Paulo
Propaganda de “A Veloz S.A.”, representante da FNM em São Paulo
Papa-Filas diante de filas e mais filas de passageiros na região central de São Paulo
Papa-Fila da Expresso SBC, em São Bernardo do Campo, nos anos de 1960.
Matéria do Jornal Correio da Manhā, de 11 de maio de 1956, sobre o início do Papa-Filas no Rio de Janeiro.
Papa-Fila da Xavante, do Rio Grande do Sul
Nos anos de 1970, a Xavante usou versão com carroceria Marcopolo
Matéria da Revista O Cruzeiro, de 14/ de dezembro de 1957, sobre trânsito e transportes no Rio de Janeiro
Matéria do Correio da Manhã, 15 de Março de 1956, falando sobre início das operações dos Papa-Filas em São Paulo e o fracasso no Rio de Janeiro
Papa-Fila da Companhia Brasileira de Tratores, em São Carlos, no ano de 1963
Papa-Fila da Mercantil Suissa e Caio Jaraguá da Expresso S.B.C. na Rua Marechal Deodoro esquina com a Dr. Flaquer, em 1968. Foto pertencente ao acervo da Seção de Pesquisa e Documentação. Pesquisa de Ednilson Teixeira
Papa-Fila da Mercantil Suíssa levava trabalhadores do ABC ao Parque Dom Pedro II, na Capital Paulista
Papa-Fila a serviço da Usiminas, em Ipatinga
Papa-Fila da Aeronáutica que fazia a linha Natal / Parnamirim – Parnamirim / Natal
Papa-Fila da Aeronáutica que fazia a linha Natal / Parnamirim – Parnamirim / Natal
Mesmo com Papa Fila não correspondendo a todas as expectativas, a experiência motivou a Massari a continuar no segmento de transportes de passageiros. Em 1961, lançou um ônibus monobloco integralmente concebido no país que foi equipado com carroceria de aço e recebia mecânica FNM. O motor era dianteiro e o veículo foi apresentado no, no stand da FNM, do II Salão do Automóvel.
No ano seguinte, em 1962, a Massari projetou os primeiros trólebus: da marca o TTPA, de 12,0 metros de comprimento, e TTPB, de 10,65 metros. Estes trólebus tinham equipamentos elétricos Villares, a estrutura monobloco, carroceria de aço, a suspensão era a ar e a mecânica era FNM.
Por causa do planejamento da carroceria, a unidade de 12 metros poderia transportar até 113 passageiros e havia opções de o veículo ter duas ou três portas. A iluminação era florescente no salão de passageiros, inédita no Brasil para ônibus.
Em 1964, a Massari lançou no IV Salão do Automóvel, dois modelos de ônibus, um com 10,65 metros de comprimento e motor dianteiro e outro de 12 metros, com motor sob o piso. Os dois modelos eram monoblocos, tinham suspensão a ar, mecânica FNM D11000, de 175 cavalos, e poderiam ser vendidos nas versões urbana e rodoviária.
Em relação aos Papa-Filas, após serem aposentadas dos sistemas urbanos, algumas unidades foram utilizadas por construtoras e fábricas para transportes de funcionários. Mais uma vez a alta capacidade de passageiros chamava atenção. Entre as empresas que utilizaram papa-filas para os funcionários estavam a CBT – Companhia Brasileira de Tratores, de São Carlos; Camargo Correa para construir a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará; a Usiminas, em Ipatinga; e a fábrica de bicicletas e máquinas de costura Mercantil Suissa, de São Bernardo do Campo. Diversos destacamentos do Exército, Marinha e Aeronática também usaram Papa-Filas.
O fato de o Papa-Fila não ser o sucesso que se esperava não tira o seu mérito na contribuição para o desenvolvimento dos transportes de maior capacidade no país. O Papa-Fila é considerado o precursor do articulado. O ônibus primeiro articulado no Brasil seria produzido apenas em 1978, era um modelo Caio Gabriela, com chassi Scania B111, que seria o início da consolidação dos modelos urbanos que podem atender com mais conforto um número maior de pessoas na mesma viagem.
Vídeo Papa-filas em movimento no ano de 1959. Trecho do documentário “Arraial do Cabo”:

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sexta-feira, 2 de março de 2018

Mercedes-Benz coloca 500 ônibus na rua e fica na liderança do segmento

Janeiro foi um mês excepcional para a marca de ônibus Mercedes-Benz. Neste período foram vendidas 500 unidades entre rodoviário e urbano, o que deixou a empresa na liderança do segmento chegando a 61% da participação de mercado, o que significa 3 vezes mais do que o segundo colocado no ranking de vendas.

Segundo o diretor de Vendas e Marketing Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil Walter Barbosa, o crescimento de 200% é decorrente a ampliação e renovação da frota de empresas de ônibus, o que mostra o prestígio e qualidade dos veículos da marca.

No mesmo período em 2017, foram vendidas 166 unidades, o que mostra o crescimento e aquecimento no setor. Quem puxou a fila de vendas em 2018 foram os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Como destaque, o modelo de chassi urbano OF 1721 foi o mais vendido chegando a 304 unidades o que resulta em 81% de participação em janeiro. Já o modelo O 500 RSD, de 3 eixos levou a melhor na divisão dos rodoviários atingindo 70% de participação neste mês, pois é um um eixo ideal para operações de médias e longas distância.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Especial Venus

Abrindo o mês de março em comemoração do aniversário da cidade do Rio de janeiro, o blog Vitor Otávio Bus traz um especial da empresa Venus Turística











EXCLUSIVO -ENTREVISTA: Busscar vende ônibus para Viação Osasco e produtos se chamarão Vissta Buss

Já foram definidos quatro modelos de ônibus rodoviários. Três deles começam a ser produzidos em meados de abril. Planta já está preparada. ADAMO BAZANI
Especial
Sob a gestão de um novo grupo de investidores, a encarroçadora de ônibus Busscar nem começou a produzir sua linha de veículos, mas já realiza as primeiras vendas.
Após a confirmação da compra de uma unidade pela Viação Paraty, da região de Ararquara,no interior de São Paulo, foi a vez da Viação Osasco adquirir um ônibus da Busscar.
O veículo será usado para fazer linhas interminicipais seletivas na região metropolitana de São Paulo
A confirmação foi feita com exclusividade ao repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte,pelo diretor industrial da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, em entrevista por telefone na manhã desta quinta-feira, 01º de março de 2018.
“A Viação Osasco [foi a segunda compradora], com o veículo 340 motor traseiro, seletivo, que vai rodar na Grande São Paulo, linha da EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos]. E nós seguimos conversando com outras empresas” – revelou.
Maurício Lourenço da Cunha também revelou à reportagem que depois de uma pesquisa de mercado será mantido o nome Vissta Buss nos modelos.
“Nós vamos começar com quatro modelos. Os três primeiros que nós vamos iniciar a comercialização são: Vissta Buss 360, Vissta Buss DD e o Vissta Buss 340 motor traseiro. Estes são os três primeiros. Logo na sequência virá o Vissta Buss 400, que é o LD.” – disse Maurício Lourenço da Cunha à reportagem.
OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA: 

Tocador de áudio

Segundo Maurício, a manutenção do nome Vissta Buss foi uma resposta  para o próprio mercado.
“Nós consultamos vários clientes sobre um eventual nome novo do produto e nosso sentimento se confirmou que o Vissta Bus era o nome mais forte, com a melhor imagem” – complementou.
De acordo com o executivo, na segunda metade do mês de abril, os três primeiros modelos já estarão disponíveis para o mercado de transporte rodoviário por ônibus.  Na visão de Maurício Lourenço da Cunha, considerando a complexidade que é colocar uma empresa deste porte em funcionamento, tem sido razoável o tempo decorrido entre a assinatura do termo de posse da Busscar, em 12 de junho de 2017, e o início efetivo das atividades da fábrica.
“Foi um processo bem transparente. Quem não tivesse de acordo [com o negócio] poderia ter se manifestado e, a maioria, não [se manifestou contrariamente]. Daí para a frente começamos a trabalhar. Esse trabalho eu acredito que está caminhando bem. O nosso plano inicial era em 12 meses começar a produção e estamos trabalhando com uma boa possibilidade de em 10 meses iniciarmos a fabricação dos primeiros modelos. E se nós alcançarmos este objetivo de iniciarmos a produção ainda na segunda metade de abril, nós estaremos começando em 10 meses do dia que tomamos posse. Eu acho que é um prazo muito bom pelo porte da planta, pela quantidade de trabalho que teve de ser feito, pela quantidade de desenvolvimento, de mudanças, de alteração da fábrica de fibra de vidro do município de Rio Negrinho para Joinville, toda a readequação da fábrica, desenvolvimento de produtos, de fornecedores , enfim, frente a todo este trabalho, nós entendemos que o prazo está sendo muito bom” – explicou.
Assim, segundo o que o diretor industrial da Busscar contou ao Diário do Transporte, na segunda metade do mês de abril devem estar em produção os modelos Vissta Buss 360, Vissta Buss DD e o Vissta Buss 340. O Vissta Buss 400 deve estar em produção entre maio e junho.
O primeiro ônibus DD (Double Decker) – dois andares – será no padrão de 14 metros de comprimento, mas o segundo já vai ser no padrão 15 metros, que apresenta maior capacidade de passageiros e mais disponibilidades de configurações de serviços diferenciados.
Atualmente, foram flagrados alguns ônibus com carroceria Busscar circulando nas imediações da fábrica. Maurício explicou que são modelos antigos usados para testes para atualização de registro de homologações e adequações. O executivo disse ainda que os novos produtos terão soluções funcionais e estéticas modernizadas, mas sem perder o “DNA” das linhas e do acabamento da Busscar.
As principais montadoras já forneceram chassis para as homologações das novas carrocerias.
“Hoje nós temos aqui na empresa, chassi para rodoviário do 340 ao 380, um de cada marca: Mercedes-Benz, Scania, Volvo e Volkswagen MAN… Para o DD, nós já temos o Mercedes, o Scania e o Volvo já está a caminho.” – esclareceu Maurício Lourenço da Cunha.
O executivo disse ainda ao Diário do Transporte que atualmente são 180 funcionários atuando na Busscar, mas até o final do ano, a planta terá entre 500 e 800 funcionários diretos.
O estilo dos ônibus e a adequação do espaço físico da planta fabril já são fases já prontas para a Busscar começar a operar. Está em andamento o desenvolvimento de ferramental e dos novos moldes para as carrocerias.
Maurício Lourenço da Cunha explicou que acredita na continuação da recuperação do mercado de ônibus, que sofreu três anos de retração por causa da crise econômica brasileira e de questões específicas do setor, mas que esse processo de retomada será gradual. O mercado ainda aguarda as definições do quadro eleitoral.
O executivo fez questão de destacar novamente que a encarroçadora Caio não adquiriu a Busscar. A fabricante de carrocerias em Joinville foi comprada por um grupo de investidores, dos quais, alguns são sócios da Caio, instalada em Botucatu, no interior de São Paulo, e que tem como principal atuação o segmento de modelos de ônibus urbanos.
Entretanto, Maurício disse que a experiência destes investidores no setor de transportes é um ponto visto de forma favorável pelos empresários de ônibus e pelo mercado em geral.
“Em função de uma coincidência de vários acionistas da Caio, e também pelo fato de os principais executivos daqui [da Busscar] serem diretores da Caio, não há dúvida de que haverá muita sinergia entre as duas empresas” – disse Maurício Lourenço da Cunha, que é diretor industrial também da Caio.
BREVE HISTÓRICO:
A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.
Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.
Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.
No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.
Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.
A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.
Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss  e os urbanos da linha Urbanuss.
Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários.
Em 2007, a encarroçadora de ônibus Caio, do Estado de São Paulo, já havia procurado sócios da Busscar para uma fusão. As negociações não avançaram.
Em janeiro de 2010, a Busscar criou um programa de demissões voluntárias para redução de custos. Ainda em crise, a empresa atrasou salários e benefícios, o que motivou uma greve em 15 de abril de 2010.
Em setembro de 2011, antes mesmo da falência da Busscar, sócios da Caio já tinham confirmado interesse na encarroçadora de Joinville. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2011/09/28/busscar-caio-fala-em-primeira-mao-com-blog-ponto-de-onibus/
Em outubro daquele ano, porém, a Justiça indeferiu a proposta dos sócios da Caio que previa pagamento de R$ 40 milhões pelo complexo.
Para saldar dívidas, os primeiros bens da Busscar foram leiloados em setembro de 2011. A expectativa era arrecadar R$ 1,5 milhão, mas só foi possível conseguir R$ 21 mil.
No dia 3 de novembro de 2011, o juiz Maurício Cavallazi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville,  aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela Busscar. No dia 31 de dezembro de 2011, a empresa apresentou o plano.
No entanto, não houve os resultados esperados e o plano não se mostrou viável. Em junho de 2012, a Justiça determinou que fosse apresentado um novo plano.
Depois de uma dívida que se aproximou de R$ 2 bilhões, contando juros, impostos e débitos com fornecedores, trabalhadores e bancos, a empresa teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012 pelo juiz Maurício Cavalazzi Povoas. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013. A família Nielson chegou a apresentar um novo pedido de recuperação judicial, mas o juiz Luis Felipe Canever, de Santa Catarina, após negativa por parte dos credores, decretou no dia 30 de setembro de 2014, nova falência da encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do Brasil.
Os negócios continuam na América Latina com a atuação em parceira de outros grupos, com destaque para as operações na Colômbia.
A Busscar Colômbia foi formalizada no ano de 2002 sendo fruto de uma aliança entre a indústria local Carrocerías de Occidente, empresa fundada em 1995, e a Busscar Ônibus do Brasil, fundada pela família Nielson em 17 de setembro de 1946.
Em 15 de fevereiro de 2012 foi anunciada a criação de uma joint venture formada pelos acionistas das duas gigantes da produção de carrocerias de ônibus: Caio e Marcopolo.
A parceria envolve a Twice Investimentos e Participações, integrada por acionistas da Caio Induscar, e a controlada da Marcopolo, Syncropats Comércio de Distribuição de Peças Ltda.
As empresas propuseram em fevereiro de 2013, à Quinta Vara Cível de Joinville, que cuidava do processo de falência da Busscar, o aluguel/arrendamento do Parque Fabril da companhia.
Para isso, pagariam um valor de R$ 300 mil por mês. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2013/02/28/caio-e-marcopolo-querem-alugar-a-busscar/
Foram várias tentativas de leilão da Busscar, três somente em 2016. Todas esvaziadas. A cada uma delas, o valor caía.
– Primeira tentativa: 15 de março de 2016, as três unidades fabris (Unidade Joinville SC – Fábrica de Carrocerias / Unidade Pirabeiraba – Joinville SC – Fábrica de Peças / Unidade Rio Negrinho SC – Fábrica de Peças)  custariam R$ 369.305.922,65 (trezentos e sessenta e nove milhões, trezentos e cinco mil, novecentos e vinte e dois reais e sessenta e cinco centavos)
– Segunda tentativa: 29 de março de 2016.  O valor seria de R$ 221,5 milhões (incluindo ativos reivindicados na Justiça, e incertos) ou, na prática, R$ 176,5 milhões (descontados os ativos) por todas as empresas do grupo. – 60% do valor do primeiro leilão
– Terceira Tentativa: No dia 8 de julho, terminou sem lance o terceiro leilão da empresa. Seria aceita oferta de quantia igual ou superior a 49% do valor da avaliação- do primeiro leilão.  R$ 133.151.088,11. Também sem propostas.
No final de outubro de 2016, foi apresentada uma proposta de compra por R$ 67,15 milhões por um grupo de investidores com o objetivo de retomar as produções em meados de 2017.
Em dezembro do mesmo ano, foi liberado um lote de R$ 18 milhões para saldar parte das dívidas trabalhistas.
Também em dezembro de 2016, dois grupos internacionais, o português a Imparável Epopeia UniPessoal Ltda e o chinês Liaoyuan Group demonstraram interesse na compra da Busscar.
Em 07 de janeiro de 2017 terminou o prazo para as empresas estrangeiras apresentarem a documentação exigida.
A proposta ficou somente pelo grupo da Caio. No dia 08 de janeiro, advogado da Caio esteve em Joinville e confirmou valor proposto de R$ 67,15 milhões.
Em 21 de março de 2017, o juiz da 5ª Vara cível de Joinville, Valter Santin Júnior, aprovou em sentença definitiva a compra da Busscar por sócios da Caio, encarroçadora de ônibus de Botucatu/SP, que tem como principal sócio o Grupo Ruas, de empresas de ônibus de São Paulo. O valor da compro foi de R$ 67,15 milhões. O montante foi dividido em um sinal de R$ 9,4 milhões e mais 50 parcelas do restantepelos próximos quatro anos, compreende as unidades da Busscar em Joinville, Pirabeiraba e Rio Negrinho, assim como seus terrenos, edificações, maquinário e móveis, além da maca. As parcelas terão correção monetária.
No dia 22 de março de 2017, os sócio-diretores da Caio/Induscar Marcelo Ruas e Maurício Lourenço da Cunha foram à Joinville, em Santa Catarina e assinaram o documento de compra da Busscar, na 5ª Vara Cível na cidade.
Em 28 de março de 2017, a assessoria de comunicação da Caio informou, em primeira mão ao Diário do Transporte, que na compra também envolveu a marca Busscar.
No dia 29 de março de 2017, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville decide não impugnar a venda. Mesmo o valor de R$ 67,15 milhões sendo bem abaixo que os débitos trabalhistas de R$ 250 milhões, a entidade disse acreditar ser a solução mais concreta de um problema que se arrasta há anos. Um eventual outro comprador, por exemplo, poderia não produzir mais ônibus, usando os imóveis para outros fins.
Em 12 de junho de 2017, os sócios da Caio assumem formalmente a massa falida da Busscar.
A nova administração da empresa lançou no ar um site para cadastramento de currículos para iniciar um processo de contratação.
Em 04 de julho de 2017, entrevista publicada no site Diário do Transporte, o diretor Industrial da Caio Induscar e um dos investidores da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, diz que Caio e Busscar poderão atuar em sinergia, trocando informações, conhecimentos, estruturas de distribuição e tecnologia, no mercado de transportes.
Em 30 de agosto de 2017, o diretor Industrial da Caio Induscar e um dos investidores da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, voltou a falar com o Diário do Transporte e revelou que a empresa já tinha 55 funcionários trabalhando, entre os quais, engenheiros para elaborar novos produtos.
Em 04 de outubro de 2017, representantes da Carbuss, empresa criada para a operar a Busscar e a marca, se reuniram com o secretário-ajunto da Secretaria da Fazenda de Santa Cataria, Rodrigo Prisco Paraíso, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado de Santa Catarina, Carlos Chiodini, com o objetivo de acertar os detalhes da reabertura da fábrica. Também esteve no encontro, um dos donos da Exit Comunicação, agência responsável pela análise de mercado e projeto de atuação da nova Busscar, Paulino Duarte.
Em 01º de março de 2018, o diretor industrial da Busscar, Maurício Lourenço da Cunha, revelou ao Diário do Transporte que depois da compra de uma unidade pela Viação Paraty, de Araraquara, em janeiro, a segunda companhia a adquirir modelo da marca foi a Viação Osasco, para linha seletiva da EMTU, e que já tinham sido definidos quatros até então: Vissta Buss 360, Vissta Buss DD , Vissta Buss 340 motor traseiro a serem produzidos a partir da segunda metade de abril, e o Vissta Buss 400 LD entre maio e junho.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes