segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Piracicabana recebe premiação no Litoral


 Ônibus urbanos da Piracicabana que atuam em Praia Grande (laranja) e Santos (verde)
Top Of Mind destacou 47 empresas de diversos setores na região
ADAMO BAZANI
Qual é o valor de uma marca? Apesar de haver negociações de mercado que também envolvam marcas e imagens, é quase impossível mensurar com precisão o peso de um nome.
Um dos indicadores que podem dar uma noção mais  aproximada da realidade é  o quanto determinada marca está presente no dia a dia das pessoas e é lembrada pelos cidadãos em geral, clientes, especialistas de determinados setores.
É o que ocorre com os transportes públicos. O segmento por si só já é arraigado na vida dos cidadãos, mas nem todas as empresas conseguem destaque e são lembradas logo de pronto.
No litoral paulista, o jornal regional A Tribuna, realizou prêmio Top of Mind 2017.
A Viação Piracicabana, que opera linhas municipais em Santos e Praia Grande e metropolitanas na região, conquistou a categoria transporte público.  A companhia de ônibus pertence ao Grupo Comporte, que na região, também opera o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, entre Santos e São Vicente.
O Instituto de Pesquisas A Tribuna – IPAT realizou 1,8 mil entrevistas, perguntando qual marca vem à cabeça quando se fala em determinado segmento.
O diretor da Viação Piracicabana, Alceu Cremonesi Júnior, disse, em nota, que o prêmio é reflexo de ligação da empresa de ônibu  com o dia a dia da região.
“Receber o prêmio Top Of Mind comprova ainda mais que estamos ligados diretamente na história dos nossos clientes todos os dias”
A Piracicabana atua no Litoral Paulista desde meados dos anos 1990, mas tem experiência no setor de mobilidade há mais de 80 anos, começando as atividades na cidade de Piracicaba, no interior paulista. A empresa surgiu da Expresso Piracicabano, fundada  em 1937 por Atílio Raimundo Gianneti. O nome Viação Piracicabana surgiu em 1962.

Ônibus carroceria Jotave entre os anos 1980/1990
Além de operar linhas regulares rodoviárias e de fretamento e os transportes públicos no Litoral Paulista, a Viação Piracicabana opera ônibus urbanos no Distrito Federal, Uberaba (MG), São Roque (SP) e Blumenau (SC), onde recebe o nome de Blumob.
Só no Litoral, a empresa atende mais de 210 mil pessoas todos os dias.
“Sabemos que nosso trabalho é fundamental para mobilidade urbana. Temos orgulho da nossa frota moderna e sustentável com 100% de acessibilidade, ar-condicionado e internet gratuita, zelando pelo melhor atendimento ao nosso cliente.” – disse Alceu Cremonesi Júnior.
A empresa possui uma central de monitoramento 24 horas, que acompanha as operações dos ônibus, auxiliando na gestão para o cumprimento de horários. Os ônibus têm GPS e, pelo site “Quanto Tempo Falta”, o passageiro tem em tempo real a estimativa de espera nas paradas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Produção de ônibus cresce, mas vendas acumulam expressiva queda

Ônibus da Iveco. Licenciamentos da marca subiram 94,8%
Apesar de reação, mercado ainda tem cautela
ADAMO BAZANI
Mais ônibus estão sendo produzidos neste ano, no entanto, ainda o número de emplacamentos não acompanhou esta alta.
É o que revela balanço divulgado nesta sexta-feira, 4 de agosto de 2017, pela Anfavea -Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
Pertencente ao setor de comerciais pesados, o segmento de ônibus também auxilia a entender o nível de investimento de outras atividades econômicas. Se há maior produção e comercialização em outros setores, surge a necessidade de transporte de mão de obra, ampliando assim a venda de ônibus novos para atender à demanda maior.
Por enquanto, não é isso que tem ocorrido, mas já há uma sinalização positiva, embora que o momento é ainda visto com cautela pelo mercado.
Entre janeiro e julho deste ano, houve crescimento de 12,9% na produção. No período de 2016, foram feitos 10.874 chassis de ônibus e, neste ano, 12.273
O segmento de ônibus urbanos registrou a elevação mais expressiva, 15,9% entre janeiro e julho deste ano e o mesmo período do ano passado. Em 2016, nos primeiros meses, foram feitos 7.896 chassis para o segmento e, neste ano, 9.149,
A produção de ônibus rodoviários registrou alta, de acordo com a Anfavea, de 4,9% no acumulado do ano. Entre janeiro e julho de 2016, foram feitos 2.978 chassis rodoviários e no mesmo período deste ano 3.124
Os resultados poderiam ter sido melhores, principalmente no segmento de ônibus urbanos, caso o Refrota 17, o programa do Governo Federal que conta com R$ 3 bilhões de recursos do FGTS para renovação de veículos desta configuração, não ficasse até agora na conversa.
O Governo Federal noticiou o Refrota em dezembro de 2017.  Em janeiro deste ano fez o lançamento oficial. Somente em 12 de junho é que saiu o primeiro, e até agora, o único financiamento. O pior, com problemas.
Diário do Transporte noticiou com exclusividade nesta quinta-feira, 03 de agosto, que uma cláusula pouco esclarecida do Refrota atrela o financiamento à quantidade de ônibus estipulada no momento da adesão e não à quantidade que os recursos podem comprar.
O Refrotra demorou muito para sair e, no período entre a solicitação da empresa Suzantur de Mauá e a liberação do recurso de fato, houve aumento nos preços dos chassis e carrocerias. Agora não será possível comprar todos os 100 ônibus previstos. A empresa terá procurar outros recursos porque a cláusula da Caixa Econômica Federal engessa a possibilidade de alterar o total da frota, de acordo com a variação dos preços de mercado.
Relembre:
VENDAS FRACAS:
O total de licenciamentos de ônibus ainda não sentiu esta elevação no nível de produção, mas de acordo com as características do mercado, a alta na fabricação de ônibus vai significar, dentro de alguns meses, crescimento também no número de emplacamentos. Isso porque, diferentemente dos carros que são produzidos e faturados completos, inicialmente, se compra o chassi do ônibus para depois encarroçá-lo sob encomenda. Este processo demora de 2 a 4 meses.
Segundo balanço da Anfavea, houve queda de 16,9% nos licenciamentos de ônibus entre janeiro e julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2016.
No acumulado do ano, a Mercedes-Benz lidera, mas somente Iveco e Scania tiveram alta de emplacamentos, com 94,8% e 86,5%, respectivamente, em relação ao período de janeiro a julho do ano passado.
1º) Mercedes-Benz:  2.914 ônibus emplacados, queda acumulada de 28,9 %
2º)MAN Volkswagen: 1094 ônibus emplacados, queda acumulada de 8,9 %
3º) Iveco: 789 ônibus emplacados, alta acumulada de 94,8 %
4º) Agrale (inclui minonibus Volare): 770 ônibus emplacados, baixa acumulada de 28 %
5º) Scania: 289 ônibus emplacados, alta acumulada de 86,5 %
6º) Volvo: 180 ônibus emplacados, baixa acumulada de 58,7%
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

EXCLUSIVO: Regra “oculta” do Refrota pode desestimular renovação de ônibus, dizem empresários

Ônibus da Suzantur em Mauá, empresa vai ter de desembolsar R$ 4,9 milhões
Empresa de Mauá que financiou 100 ônibus terá de tirar dinheiro de outras fontes porque os recursos são suficientes para menos veículos
ADAMO BAZANI
Quando tudo parecia que ia deslanchar para o Refrota 17, um programa lançado oficialmente em janeiro pelo Governo Federal, com recursos de R$ 3 bilhões provenientes do FGTS para a troca de 10 mil ônibus urbanos no País, o sistema de financiamento tem mais um entrave que pode novamente desestimular a aquisição de novos coletivos.
O financiamento é atrelado ao número de veículos que deve ser comprado e não à quantidade de ônibus que podem ser adquiridos com os recursos liberados. Ocorre que esta cláusula pegou frotistas de surpresa.
Como a aprovação do financiamento tem demorado para sair, pode haver diferença entre a quantidade de ônibus estipulada no momento da adesão da empresa ao Refrota e a quantidade que é possível ser adquirida no momento que o dinheiro é liberado. Isso porque, no período de espera por causa da burocracia, pode haver aumento de preços de chassis, carrocerias e componentes.
Foi o que aconteceu com a empresa Suzantur, operadora dos transportes municipais em Mauá, na Grande São Paulo.
A companhia de ônibus foi a primeira no País a conseguir liberação de recursos.
Apesar de o programa ter sido lançado em janeiro, o primeiro financiamento foi assinado em 12 de junho de 2017 justamente pela Suzantur.
Os recursos foram de R$ 30,3 milhões para 100 ônibus, sendo que R$ 28,7 milhões financiados e R$ 1,5 milhão de contrapartida da empresa.
Entretanto, o dinheiro não será suficiente para comprar os 100 ônibus, de acordo com a promessa inicial.
Da primeira solicitação de adesão da Suzantur até a liberação dos recursos foram consumidos em torno de quatro meses. Nesse período, os valores das carrocerias e chassis foram reajustados.
Ocorre que como a regra vincula o financiamento somente à quantidade de frota e não leva em conta a variação dos preços dos veículos, pelo Refrota não será possível comprar os 100 ônibus.
Em entrevista ao Diário do Transporte, o proprietário da Suzantur, Claudinei Brogliato, garantiu que os 100 veículos serão adquiridos para Mauá. Se não houver solução com a Caixa, entretanto, a empresa vai bancar a diferença com os próprios recursos.
“ Quando negociamos com a Caixa Econômica, a média do preço dos chassis do ônibus do tipo que precisávamos era de R$ 300 mil e mais R$ 3.100 pelas câmeras, o que daria a R$ 303,1 mil por veículo. Assim, os R$ 30,31 milhões seriam suficientes. Mas quando os recursos foram liberados, fomos cotar preços nos fornecedores e os valores de mercado eram outros. O midi (micrão) sairá por R$ 330 mil (R$ 176 mil do chassi Mercedes-Benz OF-1519 e R$ 154 mil da carroceria Marcopolo Torino). Já o ônibus convencional vai custar R$ 354 mil (R$ 186 mil do chassi OF-1721 e R$ 168 mil da carroceria Marcopolo Torino para convencional). Os 100 ônibus vão sair por R$ 33,73 milhões. Se não houver mudança por parte da Caixa, vamos manter a compra, mas ter de complementar mais de R$ 3,4 milhões somados ao R$ 1,5 milhão de contrapartida que já era previsto. Vamos ter de desembolsar R$ 4,9 milhões. Até agora, o Refrota nos prejudicou” – disse Brogliato.
O empresário também contou que não foi informado pela Caixa sobre esta regra, que, segundo ele, não estava clara no contrato.
“Temos esta condição de complementar [a diferença entre os recursos liberados e o atual preço de mercado], mas tem muita empresa que não tem. O pior é que quando assinei, não sabia e nem fui informado disso. Não teve clareza” – lamenta.
Também em entrevista ao Diário do Transporte, o presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio Cunha, disse que a regra pode desestimular outros empresários a procurarem o Refrota.
“Essa regra tem de ser mudada. Há variação de preços e o financiamento deve levar em conta isso. Nós vamos pedir ao Ministério das Cidades que a regra seja atrelada ao valor do crédito e ao que é possível comprar com ele, e não à quantidade de frota” – disse Otávio Cunha.
O Refrota demorou para sair do papel por causa de outro problema burocrático.
Inicialmente, a Caixa Econômica Federal exigia que os ônibus tivessem seguro.
Mas não existe seguro para veículos de transporte coletivo no mercado.
O modelo de seguro proposto também era considerado sem vantagem pelos empresários.
A franquia era de 75% do valor do ônibus novo, ou seja, na prática o seguro iria cobrir apenas 25% do valor do veículo. Um ônibus pode ter preços entre R$ 250 mil e R$ 1,2 milhão, dependendo do porte tecnologia e configuração.
Diário do Transporte procurou a CEF – Caixa Econômica Federal desde a manhã de quarta-feira, tanto por e-mail como por telefone, mas o banco público, responsável pelo Refrota, e somente nesta quinta, houve a resposta.
Segundo a Caixa, por meio da assessoria de imprensa, são seguidas as regras do Programa Pro-Transporte
DT: Por que a regra vincula o financiamento à quantidade de frota no momento de adesão e não leva em conta variação de preços?
CEF: As regras de financiamento seguem as condições dispostas no Manual de Fomento do Agente Operador do FGTS do Programa Pró Transporte, e as considerações quanto a variação de preços, expressas também nos capítulos Capítulo IV e V.
O Manual de Fomento do Agente Operador do FGTS do Programa Pró Transporte pode ser acessado no endereçohttp://www.caixa.gov.br/Downloads/fgts-manual-fomento-agente-operador/MFOM_PRO_TRANSPORTE_VERSAO_3_7.pdf

DT:  Qual o tempo médio entre a manifestação de interesse da empresa de ônibus e a liberação dos recursos?
CEF:  O tempo entre a manifestação de interesse do proponente e a liberação de recursos tende a variar, considerando que cada processo de avaliação de crédito demanda análise de diversos elementos que diferem de uma proposta e outra, como por exemplo: aspectos financeiros, cadastrais, jurídicos, entre outros.

DT: Além da Suzantur Mauá, quais empresas conseguiram liberação de financiamento pelo Refrota? Qual o nome delas, a quantidade de ônibus, o montante de recursos e onde operam.
CEF: Informação protegida por sigilo bancário.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Ar-condicionado: Desejo dos passageiros, mas que requer manutenção cuidadosa das empresas de ônibus


Limpeza de ar-condicionado em ônibus
Assim como componentes da mecânica, quilometragem do veículo é essencial para programar limpeza, troca de filtros e reparos
ADAMO BAZANI
Atualmente, o ar-condicionado em ônibus urbanos se tornou item obrigatório em diversos sistemas de transportes e uma exigência dos passageiros.
Na capital paulista, por exemplo, todos os ônibus comprados zero km já devem vir com refrigeração. No Plano de Metas do prefeito João Doria, o ar-condicionado aparece com destaque. De acordo com a proposta, até 2020, a cidade de São Paulo deve ter ao menos seis mil ônibus com o equipamento. Relembre:
No Rio de Janeiro, a polêmica em torno de tarifas também envolve a meta assinada na época do ex-prefeito Eduardo Paes de implantar na cidade 100% da frota de ônibus com ar condicionado.
Mas o que pode ser um alívio para os passageiros, tanto em dias quentes como no frio, já que o climatizador pode deixar a temperatura do ônibus mais agradável em qualquer estação do ano, também pode ser fonte de vírus, fungos e bactérias que geram graves doenças.
Sendo assim, são fundamentais a manutenção e limpeza dos equipamentos de ar-condicionado, o que nem sempre é feito corretamente.
A manutenção preventiva do equipamento de ar-condicionado é atrelada à quilometragem do veículo.
Esta parada para manutenção do ar-condicionado pode ocorrer mais vezes que a manutenção preventiva da mecânica, por exemplo.
Há também tipos diferentes de manutenção preventiva de acordo com a quilometragem.
Existem os trabalhos mais simples, realizados com mais frequência, e os bem detalhados, que obrigam que o ônibus fique ao menos um dia fora de circulação.
Na série de vídeos “Por dentro da Metra”, a empresa de ônibus e trólebus que opera o corredor que faz a ligação entre São Mateus e Jabaquara, nas zonas leste e sul de São Paulo, respectivamente, passando por municípios do ABC, e também a extensão entre Diadema e Brooklin, mostra como que é a rotina da manutenção do ar condicionado.
A cada 7 mil km é realizada uma limpeza e troca de filtros. A cada 100 mil km praticamente todo sistema é trocado, com a substituição dos principais componentes. O setor responsável pela manutenção é a eletrônica. Acompanhe com imagens de como são feitos os trabalhos:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ENTREVISTA: Aumento de diesel trará impacto de R$ 850 milhões nos custos do transporte coletivo

Ônibus em Salvador. Diesel ficou 16,78% mais caro na cidade, de acordo com as empresas de transporte.
Cálculo é de associação nacional de empresas de ônibus. Segundo presidente da NTU, Otávio Cunha, entidade enviou comunicado ao Ministério da Fazenda pedindo que Governo volte atrás na tributação sobre o diesel usado no transporte público
ADAMO BAZANI
O aumento da tributação do PIS/Cofins sobre os combustíveis, medida anunciada pela equipe do presidente Michel Temer para ajudar a cobrir parte dos rombos dos cofres da União, tem pesado no bolso de trabalhadores e de diversos setores produtivos e de prestação de serviços.
No segmento de transportes coletivos urbanos e metropolitanos, o impacto deve ser em torno de R$ 850 milhões por ano.
O cálculo é da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos que reúne no Brasil mais de 500 companhias de ônibus.
Em entrevista ao Diário do Transporte, o presidente da entidade, Otávio Cunha disse que o aumento do combustível dos ônibus tem sido maior do que o governo havia anunciado.
“Quando o governo anunciou o aumento sobre o diesel, havia dito que o reajuste seria em torno de 7%. Mas, em média, o diesel dos ônibus está 10,6% mais caro. Em alguns lugares, o aumento chega a ser desolador. Em Salvador, o diesel ficou 16,78% mais caro. O operador local nos mandou as notas fiscais. Em 14 de julho, ele pagou R$ 2,2917 por litro e, em 31 de julho, o valor do litro já estava em R$ 2,6763. Em Divinópolis, Minas Gerais, o aumento foi de 12% sobre o diesel dos ônibus” – contou Otávio Cunha.
Assim, com aumento, de acordo com a entidade, o impacto nos custos dos transportes é de 2,44% na média nacional. O setor tem gastos anuais de R$ 35,7 bilhões. Mas no caso de Salvador, por exemplo, cujo reajuste no diesel foi superior a 10,6%, esse impacto é de 3,81%.
Hoje o diesel representa, em média 23%, do custo do transporte e é o segundo maior gasto para operação de serviços de ônibus, ficando abaixo apenas da folha de pagamento do pessoal.
A entidade enviou um pedido ao Ministério da Fazenda para reconsiderar e desonerar os serviços de transportes coletivos deste aumento tributário.
“Não se trata de isenção da PIS/Cofins, mas que o transporte coletivo continue pagando os índices anteriores. É benefício para toda a sociedade porque o transporte público traz diversas vantagens, como redução do trânsito e da poluição” – defende Otávio Cunha.
O executivo ainda diz que a renúncia fiscal do Governo Federal para desonerar o transporte coletivo da elevação do PIS/Cofins seria muito pequena diante do aumento da arrecadação com combustível mais caro.
“Com base nos dados de consumo de combustível no Brasil, fizemos as seguintes projeções. Em 2016, foram consumidos 54,27 bilhões de litros de óleo diesel. Somente com o aumento do PIS/Cofins sobre o óleo diesel usado por diversos setores do Brasil, o governo por ano vai lucrar R$ 12,1 bilhões. Ocorre que os ônibus são responsáveis por, em média, 7% do consumo total do diesel no Brasil, o que equivale a 3,8 bilhões de litros. Assim, multiplicando os R$ 0,22 por litro referentes ao aumento do imposto,  por algo em torno de 55 bilhões de litros, só com os ônibus, o Governo Federal lucraria em impostos maiores R$ 847 milhões de reais. Se o governo abrisse mão do aumento tributário sobre o combustível do transporte coletivo, a renúncia fiscal seria pequena diante da arrecadação maior pelo diesel mais caro em todos os setores e, não pesaria no bolso do passageiro, já que esses R$ 847 milhões vão acabar inevitavelmente indo para a tarifa e, até os próximos reajustes, serão assumidos pelas empresas de ônibus, o que compromete investimentos como em renovação da frota e melhoria de serviços” – explicou Otávio Cunha ao Diário do Transporte
O dirigente da entidade acredita que os reajustes tarifários devem incorporar este aumento do óleo diesel, mas aposta em repasses dos custos mais facilitados até fevereiro, porque no próximo ano haverá eleições para Governo Federal e governos estaduais. No caso das administrações estaduais, aumentos tarifários, em especial das tarifas de ônibus metropolitanos, têm um peso eleitoral muito grande.
“Todo esforço para repassar esses custos deve ser feito agora e, no mais tardar, até fevereiro ou março será possível realinhar as tarifas. Ou seja, é o cidadão que vai pagar por esta atitude de aumento de impostos. A partir de março ou abril já fica mais difícil pensar em reajuste. Sempre em ano eleitoral é a mesma coisa, a sociedade paga porque de alguma maneira os maiores custos dos transportes terão de ser cobertos, ou por aumento de subsídios, ou pela diminuição dos investimentos. Muitas empresas de ônibus estão quebrando. Hoje em torno de 60% das empresas de transporte de passageiros no Brasil têm algum tipo de endividamento de impostos” – disse
Otávio Cunha disse ainda ao Diário do Transporte que atualmente apenas três sistemas no país podem amortizar de alguma maneira de forma imediata o aumento do custo. Em São Paulo e Distrito Federal ,onde há subsídios, apesar de o poder público não ter ainda garantido repor todos os custos, e, em Belo Horizonte, onde existe um fundo constituído que recebe todos os meses 1% das tarifas. Os recursos deste fundo são usados quando há uma elevação substancial de custos não previstos nos contratos.
Para evitar mais sustos futuros e haver mais segurança jurídica, a NTU propõe que os contratos de concessão dos sistemas de transportes tenham uma espécie de fundo garantidor, como ocorre com as PPPs – Parcerias Público-Privadas. Este fundo, segundo Otávio Cunha, aumentaria o comprometimento dos governos locais em relação aos contratos.
“No Brasil parece que contrato foi feito para ser quebrado. Não há segurança jurídica. Os contratos, em sua maioria, dizem que os aumentos das tarifas devem ser de ano em ano, mas existem cidades que não cumprem e congelam a tarifa sem oferecer contrapartida suficiente. Então, deve haver um comprometimento que obrigue os governos locais a arcarem com suas políticas. Por exemplo, quer congelar a tarifa? Ok!  Mas o recurso desse fundo garantidor vai cobrir esse congelamento, deve haver mais seriedade sobre esse tema. Hoje quase 90% dos serviços regulares de  transportes coletivos no Brasil são regidos por contratos de concessão após licitações. De início nós pensávamos que isso daria maior segurança jurídica para operação dos sistemas, mas por esta cultura de não se cumprir contratos isso não acontece na prática” – argumenta.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Operação Ponto Final leva PSOL a pedir criação de “CPI dos Ônibus” na Alerj

Operação apura esquema de propina usado para facilitar a atuação irregular das empresas de ônibus. CPI quer apurar vantagens indevidas e situação do sistema de bilhetagem
ALEXANDRE PELEGI
Como mais um desdobramento dos efeitos causados pela Operação Ponto Final, deflagrada no começo de julho pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) protocolou na tarde desta terça-feira (1) um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A Operação Ponto Final apura um esquema de propina usado para facilitar a atuação irregular das empresas de ônibus no estado do Rio. Segundo as investigações, foram pagos R$ 266 milhões para as autoridades.
O PSOL justifica a criação de uma CPI como forma de dar maior transparência aos motivos que ocasionaram as últimas prisões dos empresários de ônibus, bem como investigar a fundo a questão da bilhetagem no estado, hoje nas mãos da Fetranspor – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro. O atual presidente da Federação é Lelis Teixeira, que também foi preso na Operação da PF.
O pedido de CPI parte das denúncias da Operação Ponto Final e da auditoria que constatou irregularidades nos diversos modais e na operacionalização do Bilhete Único estadual. O partido quer apurar a lisura dos benefícios recebidos pelo setor de transportes no Rio de Janeiro nos últimos anos. A desconfiança ocasionada pela investigação da PF é de que os empresários das empresas de transportes do estado do Rio teriam recebido vantagens ilícitas do executivo, gerando perdas aos cofres públicos e aumentos tarifários indevidos.
Conforme noticiamos, as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontaram esquemas de cobrança de propina por agentes públicos e políticos de empresários de ônibus no Rio de Janeiro, situação que persistia desde pelo menos o ano de 1991. Os policiais federais e os promotores apuraram que, somente entre 2010 e 2016, a “caixinha da propina” movimentou cerca de R$ 500 milhões, dos quais R$ 266 milhões foram para políticos e agentes públicos investigados pela Operação Ponto Final, um desdobramento da Lava Jato e que começou a ser deflagrada no dia 2 de julho de 2017, com a prisão do empresário Jacob Barata Filho, um dos maiores do setor de ônibus de todo país. Relembre:
O número de assinaturas colhido para instalar a CPI ficou acima do mínimo necessário: 27 parlamentares subscreveram o pedido, três a mais que o necessário. A Mesa Diretora terá agora que decidir se instala a Comissão, e em que prazo.
Sobre o assunto leia o artigo “Operação Ponto Final e a governança do transporte público”, de Edmilson Varejão Neto, mestre em Economia pela FGV/EPGE:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Neobus vai exportar ônibus rodoviários New Road para a África do Sul


A NEOBUS vai exportar quatro ônibus rodoviários New Road N10 380 para o Grupo Unitrans Passenger, um dos principais operadores de transporte da África do Sul. Os veículos serão incorporados à frota da Megacoach, uma das operadoras do conglomerado, e utilizados em serviços de turismo de luxo em rotas pelo país.

Segundo Alexandre Pontalti, diretor da NEOBUS, a África do Sul se tornou um dos principais mercados compradores de ônibus rodoviários do continente Africano. “Este negócio é muito importante porque demonstra o crescimento da nossa presença na África e da excelente aceitação dos nossos veículos. O mercado está buscando produtos diferenciados, que aliam segurança, design e tecnologia. A preferência pelo produto brasileiro é resultado da vasta experiência e tradição que o Brasil possui na produção e exportação de ônibus para o mundo todo”, explica o executivo.

Com direção do lado direito (RHD), o NEOBUS New Road N10 380 tem capacidade para transportar 52 passageiros em poltronas semileito com cinto de segurança de três pontos. Com 14 metros de comprimento, o modelo possui sistema de ar-condicionado, audiovisual com três monitores, sanitário, duas portas de acesso ao salão de passageiro (dianteira e central), faróis com iluminação diurna em LED, sistema multiplex, painel totalmente funcional e moderno e chassi Volvo B430R.

“Já exportamos 30 unidades para a África do Sul desde 2015 para três diferentes operadores. O desenvolvimento de veículos com direção do lado direito reforça a imagem de qualidade e tecnologia do ônibus brasileiro, que oferece relação custo/benefício muito atraente e vantajosa para os clientes”, revela Pontalti.

Com identidade arrojada e moderna, a linha New Road N10, conta com parede de separação panorâmica, computador de bordo de série, com painel com 56 teclas para a operação e tela de LCD de 7 polegadas, e iluminação dos porta-focos com sistema LED. As poltronas largas e confortáveis proporcionam viagens tranquilas em um ambiente interno totalmente relaxante.