Ônibus do sistema BRT da cidade do Rio de Janeiro. Estado deve criar mais corredores metropolitanos
Um dos trajetos deve ser na ponte Rio-Niterói. Governo defende conexão com o metrô
ADAMO BAZANI
A região metropolitana do Rio de Janeiro pode ter mais nove sistemas de BRT, corredores de ônibus de maior velocidade, nos próximos anos.
As propostas apresentadas por empresários de transportes vão ser estudadas pelo governo do Rio de Janeiro e pelas prefeituras das cidades que receberiam os corredores.
Dos nove BRTs, quatro seriam nas regiões de Niterói e São Gonçalo, com ligações, por exemplo, entre a BR 101 e terminal Manilha, terminal Araribóia e terminal Alcântara, Tiboró e Maricá. Além destes espaços, foi apresentado um BRT cujo percurso compreende a ponte Rio – Niterói.
Para a Baixada Fluminense, foram apresentadas quatro propostas que incluem ligações até Petrópolis, entre Belford Roxo e Duque de Caxias, pela Via Light e rodovia Presidente Dutra.
O secretário estadual de transportes do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, disse ao RJTV, da Rede Globo, que as propostas estão sendo estudadas e que são interessantes, mas para a região leste metropolitana, o mais provável é a criação de conexões entre a linha 3 do Metrô e sistemas de corredores de ônibus.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Ônibus urbano. Por causa de crise econômica e nos cofres públicos, segmento é o que registra maior queda na produção. Foto: Adamo Bazani
Produção de ônibus cai 32,5% em oito meses, diz Anfavea
Situação dos urbanos é ainda mais crítica, com queda de 40,2%. Contas públicas interferem em resultado
ADAMO BAZANI
Com diversos setores da economia reduzindo os investimentos e com as contas públicas no vermelho, tanto da União, estados e municípios, a produção de ônibus no Brasil, que é considerado um dos termômetros da atividade econômica geral, dá uma marcha à ré.
De acordo com balanço divulgado nesta sexta-feira, 04 de setembro de 2015, pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a produção de ônibus de janeiro a agosto deste ano registrou queda de 32,5% em comparação à semelhante período de 2014. Foram 16 mil 880 chassis nos oito meses deste ano até agora ante 25 mil 015 unidades de janeiro a agosto de 2014.
O segmento de urbanos é o que apresenta pior resultado. Com os empresários retraindo os investimentos, vendo parte da demanda cair por causa do desemprego nos diversos setores, com pendências em relação às licitações de sistemas municipais e metropolitanos e com obras de mobilidade urbana atrasadas (algumas prometidas para a Copa de 2014 sequer saíram do papel), a produção de ônibus urbanos caiu 40,2% de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2014, segundo a Anfavea. Foram produzidos 12 mil 428 ônibus urbanos nos oito primeiros meses de 2015. Em semelhante período de 2014, a produção de urbanos atingiu 20 mil 777 unidades.
Já o mercado de rodoviários vai bem para a conjuntura econômica atual. O crescimento no acumulado de janeiro a agosto foi de 5% também na comparação com o mesmo período de 2014. A definição do modelo de autorização de aproximadamente duas mil linhas rodoviárias interestaduais e internacionais com extensão superior a 75 quilômetros pela ANTT –Agência Nacional de Transportes Terrestres (um assunto que era motivo de uma queda de braço entre Governo Federal e empresas de ônibus desde 2008) e a necessidade natural de renovação de frota ajudam a explicar o número positivo. No entanto, em números absolutos, a produção de ônibus rodoviários é bem menor que a de urbanos. Entre janeiro e agosto deste ano, foram produzidos 4 mil 452 chassis de “ônibus para as estradas” ante 4 mil 238 do período do ano passado.
O mercado externo tem sido um refúgio para as fabricantes de ônibus, apesar de o volume ser bem menor que a produção para o país.
As exportações de ônibus brasileiros tiveram, segundo a Anfavea, alta de 5,3% entre janeiro e agosto deste ano, com 4.534 unidades ante 4.304 do acumulado dos oito meses de 2014. Em números absolutos, a diferença entre ônibus rodoviários e urbanos quase desaparece. Em percentuais, os rodoviários novamente levaram a melhor. Foram embarcados 2.265 chassis rodoviários, alta de 24% em relação a janeiro-agosto do ano passado, e 2.269 urbanos, queda de 8,4%.
LICENCIAMENTOS:
Ainda segundo o balanço da Anfavea, foram licenciados 12.435 ônibus de janeiro a agosto deste ano, entre urbanos e rodoviários, uma queda de 29,9% em relação às 17.746 unidades acumuladas nos oito primeiros meses de 2014.
Em relação às marcas, a Iveco é a única com crescimento, mas o volume absoluto chega a 895 unidades apenas. Continua liderando a Mercedes-Benz, apesar da queda:
1º) Mercedes-Benz: 6.300 ônibus – queda de 19% no acumulado do ano até agora.
2º) MAN/Volkswagen Caminhões e Ônibus: 2.639 ônibus – queda de 43,2% no acumulado do ano até agora.
3º) Agrale (contando também os miniônibus Volare): 1.706 ônibus – queda de 46,6% no acumulado do ano até agora.
4º) Iveco (contando também com o miniônibus CityClass): 895 ônibus – alta de 120,4 % no acumulado do ano até agora.
5º) Volvo: 641 ônibus – queda de 39% no acumulado do ano até agora.
6º) Scania: 223 ônibus – queda de 64,9% no acumulado do ano até agora.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Técnicos recomendaram que passagem fosse baixada para R$ 2,50, mas parecer foi ignorado
DANIEL PEREIRA
Rio - O relatório dos técnicos do TCM justificam a recomendação para baixar a tarifa em R$ 0,25 em uma simulação financeira da lucratividade das empresas de ônibus com a tarifa de R$ 2,75, no ano de 2012. Segundo o parecer, os técnicos optaram por fazer a simulação porque entenderam que não havia confiabilidade nos dados repassados.
“Optou-se pela realização de uma análise por simulação, a qual concluiu que a margem de lucratividade das concessionárias, com a prática da tarifa a R$ 2,75, atingiu uma TIR (Taxa Interna de Retorno) de 10,01%, acima, portanto, do adequado para o estabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Assim, não há como validar tal aumento de tarifa”, afirma trecho do documento, que lembra que os contratos permitem uma TIR de até 8,8%. O parecer técnico avalia ainda que a prefeitura poderia até exigir mais investimentos das empresas.
Recomendação para aumentar a passagem contrariou relatório técnico
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
“Até que se evidenciem os elementos que justifiquem o aumento de tarifa em R$ 0,25, pode-se concluir que, de janeiro de 2012 até o presente momento, restou configurado o desequilíbrio econômico-financeiro, (...), em benefício das concessionárias. Por tal razão, considera-se apropriado o retorno da cobrança da tarifa ao valor de R$ 2,50, e sugere-se que a SMTR estipule medidas de compensação em prejuízo dos consórcios, para que os recursos decorrentes do acréscimo de R$ 0,25 sejam revertidos, a curto prazo, em investimentos a bem dos usuários.”
Voto do relator aprovado por unanimidade
Os conselheiros do Tribunal de Contas do Município (TCM) contrariaram a recomendação do relatório técnico (feito por especialistas do próprio órgão) em relação ao reajuste das tarifas dos ônibus. O documento indicava que as passagens deveriam ser reduzidas para R$ 2,50, porém o voto do relator Ivan Moreira foi aprovado por unanimidade e sugeriu o cumprimento do contrato de concessão, o que foi acatado pelo prefeito Eduardo Paes, que elevou o valor para R$ 3,00, a partir do próximo dia 8.
O TCM informou que o plenário é um colegiado que tem autonomia de decisão e não está vinculado a manifestação técnica, podendo discordar. No entendimento do Tribunal, haveria uma violação ao contrato feito entre a prefeitura e as concessionárias a partir de um edital de licitação, comprometendo, assim, a segurança jurídica.
O aumento das passagens, em junho do ano passado, foi o estopim para manifestações que tomaram as ruas
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Já a prefeitura enviou nota afirmando que está seguindo criteriosamente as recomendações do relatório final do Tribunal de Contas do Município a que a administração municipal teve acesso e que é de conhecimento público. “A prefeitura não tem acesso a documentos e discussões internas do TCM, como as citadas na reportagem”, diz o texto.
A Rio Ônibus explicou que todas as informações necessárias para comprovar a necessidade da revisão para o equilíbrio econômico-financeiro do sistema foram encaminhadas ao TCM. E os dados usados pelo corpo técnico do tribunal foram resultado de uma simulação, não refletindo as informações reais apuradas pela prefeitura e pelos consórcios, devidamente auditadas por empresa independente.
A novela sobre o preço da passagem dos ônibus municipais parece não ter capítulo final. Fato é que há dois anos o reajuste não era concedido, uma vez que a prefeitura cedeu à pressão popular e voltou atrás do aumento dos famosos R$ 0,20 que aconteceu em junho do ano passado. Porém, em dezembro, o prefeito Eduardo Paes disse ser a favor do reajuste, que por contrato aconteceria no primeiro dia útil de janeiro.
Manifestação contra o aumento das passagens foi parar na Estação Central da SuperVia na terça e quinta-feira
Foto: Leitor @kappaum
E foi justamente aí que o Tribunal de Contas do Município entrou na história, quando recomendou que os preços não mudassem até que o órgão concluísse um estudo sobre o contrato de concessão. A prefeitura acatou a sinalização. E a decisão saiu na terça-feira, quando o TCM, mesmo considerando não ter informações precisas, recomendou que o contrato fosse cumprido e o reajuste concedido.
Após o parecer do órgão, o prefeito então decretou o aumento. A novidade neste roteiro veio na tarde de ontem, quando a imprensa teve acesso ao relatório realizado por técnicos do TCM, que deveria servir de base para o voto do relator Ivan Moreira. Acontece que ele optou por não seguir o estudo interno.
O vereador da oposição Eliomar Coelho (PSOL) dá a dica do próximo capítulo: “Assim que acabar o recesso da Câmara eu vou apurar isso. O TCM vai ter que explicar esta forma de agir. A gente pediu para acompanhar o trabalho técnico desde junho e isso foi negado. O relatório deveria servir de auxilio também para a nossa CPI, que foi paralisada. Posso me dar ao direito de admitir a hipótese de que o TCM está sofrendo influência política.”
Trens, barcas e metrô não terão reajuste, garante o governo estadual
O governo do estado anunciou ontem que vai manter os preços atuais das passagens dos trens (R$ 2,90), barcas (R$ 3,10 só a tarifa do Bilhete Único) e metrô (R$ 3,20), cujos contratos de concessão prevêem reajustes no início do ano. Para evitar o aumento, o governador Sérgio Cabral informou que determinou que a Secretaria de Fazenda faça um estudo para definir como compensar as concessionárias SuperVia e MetrôRio.
Em relação aos trens, o governador reconheceu a idade avançada da frota e a situação do controle de tráfego para justificar a manutenção da tarifa. “Nosso dever, enquanto isso (a renovação da frota e do controle) não acontece, é manter essa tarifa. O governo vai fazer esse esforço e esse reconhecimento”, afirmou Cabral, na manhã de ontem.
Sobre os trens, governador reconheceu a idade avançada da frota e a situação do controle de tráfego para justificar a manutenção da tarifa
Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia
Ainda relação à SuperVia, o governador afirmou que a redução do custo da energia possibilitaria a manutenção da tarifa. Já para a CCR Barcas, os recursos para impedir que a chamada tarifa social (a cobrada no Bilhete Único) subisse serão usados recursos do Fundo Estadual de Transportes, como já está previsto em lei. Segundo a Secretaria de Fazenda, o orçamento do fundo para 2014 é de cerca de R$ 600 milhões.
Para quem paga a tarifa das barcas sem o Bilhete Único, a Agetransp (agência reguladora estadual dos transportes) informou que está avaliando os preços “com critérios técnicos” para definir se haverá reajuste. O preço atual está em R$ 4,50.
Perguntada sobre como poderia ocorrer a redução do preço da energia para os trens, a Secretaria de Fazenda respondeu apenas que essas definições estão em estudo. Em junho do ano passado, após as manifestações, o governo estadual reduziu a tarifa do metrô de R$ 3,50 para R$ 3,20. A de trens, de R$ 3,10 para R$ 2,90. A de barcas, com bilhete único, de R$ 3,30 para R$ 3,10. Sem bilhete único, a redução foi de R$ 4,80 para R$ 4,50. Ônibus do BRT Transoeste bate em mureta e trens voltam a atrasar
A sexta-feira encerrou uma semana de muitos problemas nos meios de transporte públicos. Depois do caos no trânsito provocado pelas mudanças viárias na região do Porto, na segunda-feira, e da queda de uma passarela na Linha Amarela, o dia de ontem também foi complicado. Um ônibus do BRT Transoeste colidiu contra uma estação, na Barra da Tijuca. Trens da SuperVia voltaram a circular com atraso. E um acidente envolveu dois coletivos em Jacarepaguá.
O ônibus do sistema BRT Transoeste bateu na mureta da plataforma da estação de Santa Mônica-Jardins, na Barra da Tijuca, por volta de 6h30, prejudicando o trânsito da Avenida das Américas. Pelo menos 12 pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Municipal Lourenço Jorge.
Mecânicos realizam manutenção de ônibus do BRT após acidente na Barra
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
De acordo com a assessoria do BRT, a causa do acidente foi um pneu furado. Porém, os passageiros da composição afirmaram que a roda se soltou do ônibus, o que teria provocado o acidente. Na SuperVia, os problemas começaram por volta de 8h20.
Os trens de todos os ramais tiveram circulação interrompida em decorrência de problemas técnicos no sistema de controle. Segundo a concessionária, quando o sistema operacional havia sido restabelecido, às 9h, a circulação dos ramais foi normalizada gradativamente por motivo de segurança.
Para o sargento da Marinha do Brasil José Luiz da Costa, de 36 anos, que sempre pega o ramal de Santa Cruz, o problema o prejudicou no trabalho. “Cheguei depois do horário no serviço, sem contar que sempre pego trens sujos, sem ar-condicionado e com péssima iluminação”, disse o morador de Bangu.
Contrato com a CCR não será renovado: tarifa deve cair
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
A estudante Elaine Souza, de 22 anos, chegou atrasada para sua aula na Uerj. “Estou terminando o período ainda. E tinha apresentação de seminário. Não sei se a professora vai considerar meu atraso”, contou a aluna de que sempre utiliza os trens da SuperVia para se deslocar até a universidade. Em Jacarepaguá, a situação do trânsito também se complicou quando dois ônibus se chocaram na Estrada dos Bandeirantes, na altura da Rua São Marcelo. O acidente aconteceu às 10h20, e ,segundo o Corpo de Bombeiros, deixou 14 pessoas com ferimentos leves.
Pedágio na Ponte terá que baixar
O contrato com a CCR para gestão da Ponte Rio-Niterói, que vence em 2015, não será renovado. O anúncio foi feito pelo governo federal ontem. Segundo o ministro dos Transportes, César Borges, a tarifa de pedágio está muito alta. Uma nova licitação será feita com o objetivo de reduzir o valor, que é de R$ 4,90 para automóveis.
“Essa concessão foi feita em outras condições econômicas. Por isso, a taxa interna de retorno é muito elevada”, justificou o ministro. A atual concessionária poderá participar da concorrência, mas, segundo o ministro, acrescentando que já há muitos interessados.
O processo de concorrência será iniciado ainda em 2014. O vencedor terá de realizar investimentos na ligação com a Linha Vermelha, e na região do Mergulhão, em Niterói. “Os investimentos necessários são baixos, não chegam a R$ 300 milhões”, informou o ministro.
Comil Invictus 1200. Segundo a fabricante, modelo atende às exigências de economia, operação e design por parte de frotistas e passageiros. Foto: Adamo Bazani
Modelo da encarroçadora gaúcha tem solução que permite área mais ampla para motorista sem comprometer salão de passageiros
ADAMO BAZANI
Uma das novidades da Transpúblico 2015, evento sobre mobilidade urbana e produtos relacionados aos transportes, realizado na zona Sul da Capital Paulista, o Comil Invictus 1200 é um ônibus, segundo a fabricante, que busca preencher um espaço no mercado no qual a Comil precisava oferecer uma opção renovada em relação à linha da empresa Campione, que continua em produção.
E por falar em espaço, é justamente um melhor aproveitamento da área total da carroceria uma das apostas da Comil com o modelo para conquistar mais frotistas a optarem pela marca.
O Blog Ponto de Ônibus conversou com o engenheiro de vendas da Comil, Luciano Cesar Tedesco, que reconhece que a empresa precisava se atualizar neste segmento de ônibus.
“Havia esta necessidade no mercado. A Comil não estava oferecendo ainda um produto nesta categoria que atendesse plenamente ao que o frotista quer para operar os serviços. O Invictus vem suprir estas necessidades, com design mais moderno e soluções que aumentam a economia na operação e ampliam o conforto tanto para o motorista como para o passageiro” – disse Tedesco.
A estrutura do Invictus é a mesma de outros modelos, tendo sido apresentada em 2006, o que, segundo Tedesco, é uma garantia de qualidade pela aprovação tanto em testes de produção como pelo mercado.
“Para se ter uma ideia, submetemos ao protótipo a severos testes de água e não houve infiltração. Este é um dos pontos que mais empresários e passageiros se preocupam”- disse
Apesar do uso da estrutura tradicional, o engenheiro garante que o ônibus não se resume a uma reestilização.
Lanterna traseira não “extravasa” para as laterais, mas por causa da curvatura da carroceria, pode ser visualizada de lado. Solução evita que conjunto ótico seja danificado em pequenas batidas em manobras. Foto: Adamo Bazani.
O veículo tem espelhos retrovisores, painel do motorista com multimídia e conjuntos óticos dianteiro e traseiro mais modernos. O sobreteto faz parte da carroceria, não é colado. Além disso, há soluções que aproveitam melhor a área da carroceria, ampliando os espaços tanto do motorista como dos passageiros.
Uma das soluções para este melhor resultado, segundo Tedesco, é a divisória entre a cabine do motorista e o salão dos passageiros em curva. No lado direito, ela é mais avançada e no lado esquerdo é mais recuada, ampliando o espaço do condutor.
“Isso é fundamental. Hoje o frotista está mais consciente de que o bem estar do motorista é uma questão humana acima de tudo e que também reflete em maior produtividade e retorno para o negócio. Ao mesmo tempo ele sabe que o passageiro está mais exigente, quer qualidade. Um ônibus onde se viaja sem apertos é garantia que o passageiro vai escolher a empresa que oferece este veículo numa viagem rodoviária” – disse Tedesco.
O espaço entre as poltronas, na categoria semi-leito, exibida na Transpúblico é de 35 centímetros.
“O corredor é mais largo. Dois centímetros a mais que fazem a diferença para uma locomoção melhor dentro do ônibus padrão rodoviário” – disse Tedesco que acrescentou que a altura interna do veículo é de 1,96 m.
O espaço do bagageiro também é outra preocupação do frotista. Isso porque, em viagens longas, para as quais o modelo é indicado, normalmente os passageiros transportam volumes maiores. Além disso, várias empresas de ônibus hoje trabalham com entregas de encomendas pelos veículos, sendo necessário mais espaço. O bagageiro do modelo tem 14,6 metros cúbicos.
Os faróis já vêm com luzes diurnas, que vão se tornar obrigatórios no ano que vem. Os conjuntos óticos são de led, que além de possibilitarem melhor iluminação conferem um ar mais moderno ao veículo.
Outra solução estrutural que pode significar economia é a curvatura da lataria que impede com que as lanternas “extravasem” para a parte de trás das laterais do ônibus.
“Isso é essencial porque se eventualmente o ônibus raspar em algum obstáculo numa manobra, não vai atingir o conjunto ótico que é mais caro para ser trocado. A solução da curvatura faz com que as lanternas só fiquem na traseira, mas que possam ser visualizadas de lado também” – explicou.
Solução de divisória em curva entre o salão de passageiros e a cabine do motorista aumenta espaço do condutor sem comprometer área onde ficam os viajantes. Foto: Adamo Bazani
Corredor mais largo e espaço entre as poltronas, segundo a Comil, amplia conforto nas viagens. Foto: Adamo Bazani
Ainda de olho em mais novidades na legislação, a Comil já desenvolveu o Invictus para oferecer plataformas elevatórias para cadeira de rodas . Portaria número 269, do “Inmetro – Instituo Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia” determina que no lugar da cadeira de transbordo para passageiros com deficiência, considerada pouco prática e insegura pelo órgão, seja instalado um elevador para cadeira de rodas, como nos ônibus urbanos. A previsão é de que a portaria entre em vigor a partir de 31 de março de 2016, quando nenhum ônibus rodoviário zero quilômetro poderá sair de fábrica com a cadeira de transbordo.
O Comil Invictus é indicado para transportes de média e longa distância, inclusive para fretamento e turismo, mas um dos alvos principais da encarroçadora são as linhas regulares rodoviárias.
A ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres finalmente determinou o modelo de operação de cerca de duas mil linhas rodoviárias interestaduais e internacionais com extensão superior a 75 quilômetros. A ANTT e as empresas de ônibus divergiam do modelo de concessão das linhas desde 2008 quando terminava o prazo das concessões a título precário dos serviços. O governo federal queria dividir o sistema em 56 lotes dentro de 18 grupos, o que, segundo os empresários poderia desmantelar estruturas operacionais já estabelecidas. Agora o modelo será por autorizações individuais, por linhas, semelhante à aviação civil.
Mas a exigência de renovação de frota continua. Para se ter uma ideia, de acordo com a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, por causa da atual crise econômica, a produção de ônibus acumula entre janeiro e julho deste ano queda de 28,9% em relação a igual período de 2015. No entanto, o segmento de rodoviários vive outro cenário: enquanto os urbanos registram queda no período de 36%, com um acumulado de 11 mil 812 unidades, a produção de rodoviários tem alta de 6,7% com 3 mil 948.
“Queremos ver o Invictus como parte da paisagem das estradas brasileiras. O veículo tem qualidade e é uma solução para os transportes rodoviários” – disse Tedesco, sem, no entanto, arriscar uma estimativa de percentual que o modelo pode conseguir no mercado.
AINDA SOBRE A TRANSPÚBLICO E CONGRESSO NACIONAL DA NTU, CONFIRA AS PREMIAÇÃO DA ANTP SOBRE AS MELHORES EMPRESAS DE TRANSPORTES DO PAÍS:
Os chassis de ônibus Mercedes-Benz atendem, desde já, às diretrizes da reorganização do sistema de transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo. No que se refere aos veículos, haverá uma maior demanda por ônibus de grande porte, como o superarticulado O 500, modelo já amplamente aprovado na capital paulista.
“Nosso superarticulado O 500 conquistou ampla satisfação dos usuários, tanto pela oferta de maior número de assentos, quanto pelo excelente nível de comodidade no salão interno e pelo conforto da suspensão a ar em todos os seus quatro eixos”, afirma Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.
De acordo com o executivo, os superarticulados O 500 da Mercedes-Benz também ganharam a aprovação dos transportadores, principalmente pela facilidade de operação e manutenção. “Outro importante diferencial destes veículos é que eles são operacionalmente rentáveis durante todo o período de sua utilização diária e não apenas nos horários de pico, aumentando assim as vantagens para os operadores, gestores e planejadores dos sistemas de transporte urbano de passageiros”, ressalta Walter Barbosa.
Os superarticulados Mercedes-Benz – oferecidos ao mercado nas versões O 500 UDA Low Entry (entrada baixa) e O 500 MDA (piso alto) – atendem a uma das principais demandas do sistema de transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo, que é o transporte de grande volume de passageiros. Com 4 eixos, sendo o último eixo direcional, eles permitem a utilização de carroçarias até 23 metros, podendo transportar mais de 200 passageiros.
Soluções da marca são atrações na Transpúblico 2015
O superarticulado O 500 UDA Low Entry, juntamente com o chassi OF 1519, são atrações da Mercedes-Benz na Transpúblico 2015, uma das principais feiras brasileiras de produtos e serviços para transporte coletivo urbano. Este evento ocorre simultaneamente ao Seminário Nacional da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Ambos serão realizados, entre 1º e 3 de setembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Líder de mercado no segmento de ônibus, a Mercedes-Benz apresenta na Transpúblico soluções eficientes e rentáveis para o transporte de passageiros e para a mobilidade sustentável. Com base na mais completa linha de chassis de ônibus, o portfólio da marca inclui veículos para todas as demandas dos sistemas de transporte coletivo urbano, como corredores, faixas exclusivas e BRT (Bus Rapid Transit), bem como linhas alimentadoras e distribuidoras.
“O superarticulado e o OF 1519 trazem aprimoramentos que agregam mais vantagens e benefícios aos clientes, como maior capacidade de carga e conforto e melhor aproveitamento de espaço no interior dos ônibus”, declara Walter Barbosa. “Apresentaremos as novidades na Transpúblico, reafirmando assim o nosso compromisso de agregar cada vez mais valor aos nossos produtos”.
Super articulado O 500 tem novo eixo traseiro de maior capacidade
Com presença cada vez maior em São Paulo e em diversas outras regiões metropolitanas do País, o super articulado O 500 oferece agora mais robustez para a alta demanda do transporte de massa. Graças a seu novo eixo traseiro HO-7 de 13 toneladas, há um incremento de 6% em sua capacidade de carga, o que aumenta sua resistência e durabilidade, além de permitir um maior número de passageiros no interior do veículo.
OF 1519 otimiza instalação de ar condicionado
O OF 1519 exposto na Transpúblico traz uma importante novidade. A nova disposição do filtro de ar, agora no lado esquerdo do chassi, facilita ainda mais a montagem do compressor do sistema de ar condicionado. Isso favorece o atendimento à demanda por ar condicionado, importante exigência do futuro sistema de transporte coletivo de São Paulo.
O reposicionamento do filtro de ar traz mais comodidade a bordo do ônibus, uma vez que permite uma maior largura de porta dianteira, otimizando o acesso dos passageiros e agilizando a operação.
Desenvolvido para atender às aplicações urbana e de fretamento, o chassi OF 1519 pode receber carroçarias até 11,3 metros. O novo eixo traseiro estampado R 390 para 10,5 toneladas assegura redução de peso, mantendo a mesma robustez. Além disso, facilita a montagem e manutenção e proporciona baixo nível de ruído e alta durabilidade.
Chassis Mercedes-Benz se destacam pela sustentabilidade ambiental
Os ônibus Mercedes-Benz podem ser abastecidos com combustíveis não fósseis, como o diesel de cana e o biodiesel, soluções em uso em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Os ganhos ambientais proporcionados pela utilização desses combustíveis alternativos são potencializados ainda mais pelos motores com tecnologia Blue Tec 5. Dessa forma, a Empresa dá importante contribuição à mobilidade urbana sustentável. Além disso, oferece aos clientes, operadores e gestores de transporte a possibilidade de escolha entre diferentes combustíveis. Tudo isso sem realizar alterações no motor. Ou seja, os motores Mercedes-Benz são multicombustíveis.
Ônibus Mercedes-Benz. Houve acordo e demissões serão canceladas
Foi aprovada a adesão ao PPE e reajuste salarial no ano que vem será reduzido
ADAMO BAZANI
Mil e quinhentos trabalhadores da planta da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, já podem respirar aliviados.
Depois de negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a fabricante de caminhões e ônibus, foram canceladas as mil e quinhentas dispensas que começariam a ser efetuadas a partir de amanhã, 1º de setembro de 2015.
Foi aprovada a adesão ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego da seguinte maneira: a redução na jornada de trabalho e jornada será de 20% por um período de nove meses. Metade dos salários reduzidos será paga pelo FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, como prevê o programa. Assim, na prática, a redução salarial será de 10%.
Os trabalhadores aceitaram também o corte pela metade do reajuste salarial previsto para o ano que vem. Para compensar, uma diferença de R$ 3 mil será paga num abono não incorporado ao salário.
A Mercedes-Benz alega ter um excedente na planta de São Bernardo do Campo de dois mil trabalhadores por causa da redução das encomendas de ônibus e caminhões devido à recessão econômica brasileira.
Com o acordo, os trabalhadores que estavam em greve retornaram às atividades.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.