segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

MPF quer anulação de contratos da Viação Gontijo (São Geraldo)

Empresa ainda não se pronunciou. Foto Fabio Sales – Clique para ampliar
Segundo o órgão, sistema de autorizações deve ser substituído por licitação
ADAMO BAZANI
O Ministério Público Federal quer a anulação de 12 contratos de linhas de ônibus interestaduais operadas pela Viação Gontijo (São Geraldo) que foram firmados sem licitação entre a empresa, a União e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Para isso, o órgão recorreu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) para retomar a ação que foi extinta e que pedia a anulação dos contratos celebrados entre 1996 e 1998, época que a São Geraldo ainda não era da Gontijo.
A incorporação da Cia São Geraldo pela Viação Gontijo foi autorizada pela ANTT em setembro de 2015. Relembre matéria do Diário do Transporte:
O MPF pede que estes acordos de operação sejam considerados ilegais e inconstitucionais   que seja realizada uma licitação dos trechos de 12 linhas de alta demanda, entre os quais a Recife-Curitiba (via BR-101), Porto Seguro (BA)-Rio de Janeiro e Teixeira de Freitas (BA)-São Paulo.
Como efeito do pedido do MPF, que ainda será analisado pela Justiça, seriam impedidas as prorrogações dos atuais contratos.
A 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro extinguiu a primeira ação do MPF, que pedia a anulação dos contratos, alegando mudança no marco legal do transporte interestadual e internacional de passageiros, por meio da Lei 12.996/2014. Desde 2008, a ANTT queria licitar as linhas interestaduais e internacionais de todo o País, mas depois de uma longa queda de braços, na mídia e nos tribunais, os empresários venceram a ANTT e as autorizações são hoje por linhas, de forma individual, como é na aviação,  e não por lotes e grupos, como queria a agência na proposta de licitação.
Na mesma ação, o MPF pede que este modelo de autorizações seja substituído por licitações.
Paralelamente a este pedido, os procuradores também moveram ação direta de inconstitucionalidade (ADI 5.549-DF), apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2016, para que as autorizações de todas empresas em todo o País sejam consideradas ilegais.
Não há prazo para a ADI chegar ao estágio de transitado em julgado, ou seja, ter acabado sem nenhuma possibilidade de recurso.
Em nota à imprensa, o MPF diz que em parecer que somente a licitação poderia garantir a concorrência.
“Como a concessão e permissão da exploração de serviços de transporte coletivo é serviço essencial à população, deve ser precedida de licitação, assegurando a igualdade de concorrência de todos os habilitados, dentro dos parâmetros técnicos da administração pública, procurando a satisfação do interesse público e do bem comum com a outorga do serviço ao licitante mais qualificado”, destaca o parecer.
No caso do pedido de desarquivamento da ação a respeito das linhas operadas pela Gontijo (São Geraldo), os procuradores dizem que se a decisão de primeira instância for alterada, o MPF quer que a ANTT seja obrigada a abrir um procedimento em 30 dias para anular o contrato de permissão com a São Geraldo.
O órgão ainda contestou a extinção da ação pela 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro, ao alegar que um “juiz não deve deixar de julgar a ação alegando que ela não abarca parcela considerável do conflito sobre o regime de contrato de linhas de ônibus interestadual e internacional.”
A empresa de ônibus não se pronunciou.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Volare desenvolve versão exclusiva do modelo V8L para operadora de turismo da Guatemala

Foto: Gelson Mello da Costa
Veículo tem inédito compartimento para bagagens com capacidade para 5 m³
ALEXANDRE PELEGI
O modelo V8l da Volare está produzindo novas versões para diferentes segmentos do mercado. Após desenvolver, em parceria com a Abreu & Abreu Engenharia, um inédito motorhome com tração nas quatro rodas (4X4) – o Volare V8L 4×4 Motorhome –, a empresa do grupo Marcopolo, pioneira no desenvolvimento de miniônibus para aplicação de transporte, inova agora na criação de uma versão exclusiva para a Guatemala. Relembre a matéria do Motorhome:
O novo miniônibus, com um inédito compartimento traseiro para bagagens com capacidade para 5 m³, será utilizado em turismo no país da América Central pela operadora guatemalteca Sistragua S.A..
Rodrigo Bisi, gerente comercial para o mercado externo da Volare, conta que o desenvolvimento do projeto foi realizado ao longo de três meses. “A Sistragua tinha a necessidade de um veículo diferenciado para atender seus clientes e nosso departamento de engenharia projetou o primeiro Volare com um compartimento traseiro separado e maior para bagagens”.
O bagageiro tem desenho e concepção exclusivos, com porta em duas folhas, prateleiras horizontais de fácil acesso e armazenagem.
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O executivo da Volare afirma que o fornecimento desta nova versão marca também a primeira venda para a Sistragua. “Estamos felizes em poder atender as suas expectativas”, acrescenta Rodrigo Bisi..
O Volare V8L, com motor Cummins ISF 3.8 com 152 cv de potência, tem capacidade para transportar 18 passageiros sentados em poltronas do tipo Executiva, com 1.060 mm de largura e cinto de segurança de três pontos.
O veículo conta ainda com amplo corredor, sistema audiovisual com microfone, monitores e DVD, ar-condicionado e faróis e lanternas traseiras em LED.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

BNDES aumenta para 100% limite de financiamento para compra de ônibus e caminhões pelo Finame

onibusFinanciamentos de ônibus e caminhões devem se tornar mais vantajosos com novas regras do Finame. Foto: Adamo Bazani
A participação do banco se limitava a 80% do total do financiado pela linha Finame. Linha se destina para Micro, Pequenas e Médias empresas, como estímulo para renovação da frota
ALEXANDRE PELEGI
Como medida para incentivar o setor transportador a investir na renovação e ampliação da frota, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou que passará a financiar até 100% do valor de ônibus e caminhões pela Finame.
A linha é destinada para as Micro, Pequenas e Médias empresas (MPMEs). A  participação do banco, até hoje, se limitava a financiar 80% do total da compra.
Com prazo para pagamento de até dez anos, o financiamento terá carência de até dois anos. O acesso à linha do Finame deverá ser feito pela empresa interessa diretamente com a instituição financeira credenciada pelo BNDES.
Além de ampliar o limite do financiamento, o Banco anunciou outra medida de apoio às MPMEs: prorrogou o BNDES Giro até 31 de dezembro de 2018.
Esta linha visa suprir a necessidade de capital de giro das empresas, tem dotação orçamentária de R$ 32 bilhões, sendo R$ 27 bilhões para operações indiretas e R$ 5 bilhões para operações diretas. As MPMES são os principais tomadores do BNDES Giro.
Ainda segundo o BNDES, houve alteração na classificação de porte das empresas, com a definição de novo limite máximo de faturamento:
= pequenas empresas: subiu de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões;
= empresas médias: entre R$ 4,8 milhões e R$ 90 milhões.
As alterações foram adotadas em adequação à Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.
BNDES DIVULGA SUBSTITUIÇÃO DA TJLP PELA TLP:
O Banco estatal divulgou a substituição da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) pela TLP (Taxa de Longo Prazo). A TLP será usado como referencial dos financiamentos para contratos firmados a partir de 1º de janeiro deste ano.
A cada mês o BNDES anunciará a TLP vigente pelo Banco Central.
A TLP é definida com base na rentabilidade da NTN-B de cinco anos – um título público cuja rentabilidade é composta com base em juros pré-fixados e no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
A TJLP, adotada até o fim de 2017, era estabelecida pelo governo federal a cada três meses, tendo como base a meta de inflação para o ano.
A troca da TJLP pela TLP implica, na prática, que a taxa de juros dos financiamentos do BNDES passará a seguir em 2018 os padrões do mercado, sem sofrer impactos de decisões políticas.
Inicialmente a TLP terá os mesmos patamares que a TJLP, índice que será gradualmente modificado. O Banco estima que a TLP deverá se igualar aos juros de mercado dentro de cinco anos.
Informações sobre as normas reguladoras do Produto BNDES Finame podem ser obtidas na Circular nº 05/2017, de 8 de fevereiro de 2017:
e a Circular nº 43/2017, de 29 de dezembro de 2017:
Todas as regras podem ser obtidas no link do BNDES:
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) oferece um ‘Simulador de Financiamento’ no site da entidade. A ferramenta, segundo a CNT, apresenta resultados com base em parâmetros de mercado, tais como taxas de juros, prazos, carência e valores financiáveis.
O simulador auxilia transportadores a identificarem as opções de financiamento que podem ser mais vantajosas.
O ‘Simulador de Financiamento CNT’ pode ser acessado pelo link:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Suzantur entrega mais 60 ônibus zero quilômetro do lote de 100 unidades do Refrota para Mauá

Entre os veículos, há de tamanho convencional e mídis
Segundo prefeitura, veículos serão gradativamente colocados em circulação
ADAMO BAZANI
A empresa de ônibus Suzantur, que opera unicamente o transporte municipal de Mauá, no ABC Paulista, entregou nesta terça-feira, 16 de janeiro de 2018, 60 ônibus zero quilômetro para o sistema.
Os veículos integram os cem ônibus financiados pela empresa por meio do Refrota, programa de renovação da frota para os transportes urbanos e metropolitanos em todo o País, anunciado no ano passado pelo governo Michel Temer, com recursos totais de R$ 3 bilhões do FGTS.
A Suzantur foi a primeira a aderir ao programa, mas não a primeira receber os recursos por causa da inexperiência, até então, da Caixa Econômica Federal no mercado de ônibus, que exigia, por exemplo, um tipo de seguro inexistente neste setor. A primeira empresa que recebeu o financiamento foi a Viação Garcia, do Paraná, mas a companhia contratou outro agente financeiro, a instituição privada BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul.
O financiamento para a Suzantur foi de R$ 30,3 milhões.
As entregas em Mauá começaram em dezembro, mês de aniversário da cidade.
Entre os 100 ônibus, de acordo com a empresa, 80 são midi (micrões) e 20 convencionais.
Os veículos têm carroceria Marcopolo modelo Torino e chassi Mercedes-Benz, entre OF1721 – Euvo V (convencionais) e OF1519 Euro V (mídis).
Nesta terça-feira, foram entregues 60 dos 100 ônibus financiados pela Refrota. Outras unidades do lote também foram apresentadas em dezembro
Em nota, nesta terça-feira, o prefeito de Mauá, Átila Jacomussi, que participou da entrega, destacou que os ônibus são totalmente acessíveis para pessoas com deficiência e contam com Wi-Fi gratuito, tomadas USB para carregamento de celular e monitoramento por GPS.
“Mauá está vivendo um novo tempo nos transportes. Esses novos ônibus vão garantir mais conforto, segurança e pontualidade para a população, que merece um serviço de qualidade. Inovação e criatividade fazem parte da nossa filosofia de trabalho neste setor tão importante para o povo”,afirma o prefeito Atila.
Segundo a prefeitura, a frota de ônibus municipais de Mauá passa a ter, com a entrega desta terça-feira, idade média de um ano, uma das mais baixas do País.
Na nota, a prefeitura de Mauá ainda destacou outras ações na área de transportes, como a revitalização o atual Terminal Central, que recebeu nova pavimentação, sinalização vertical e de solo, reforma do telhado e substituição das lâmpadas antigas por novas de LED. O terminal passou a oferecer também enfermaria, fraldário e sala para acesso a computadores com internet.  O café da manhã gratuito ao trabalhador voltou a ser oferecido.
A prefeitura ainda citou a criação do Expresso Mauá, que são linhas semiexpressas com menos paradas que, segundo a administração, reduziram em até 30 minutos alguns trajetos.
Até março, serão entregues outros 20 ônibus completando o lote.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Empresa de ônibus de Brasília dá oportunidade para refugiado sírio

Refugiado se sentiu bem vindo por colegas de empresa de ônibus CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR
Segundo imigrante, após ser acolhido por colegas e viação, nem se sentiu mais que estava numa terra até então nova
ADAMO BAZANI
A questão dos refugiados em todo o mundo ainda é marcada pelo preconceito.
Ultranacionalistas e pessoas desinformadas ainda propagam discursos de ódio com ideias como as que pregam que os refugiados tiram emprego, renda e significam ameaça à segurança dos países que os acolheram.
Mas instituições e empresas com visão humana de fato entendem que vários destes milhões de homens, mulheres e crianças espalhados por todo o mundo têm muito a oferecer para os cidadãos que os acolhem.
E nesta corrente de humanidade, as histórias de uma empresa de ônibus de Brasília e de um refugiado dos conflitos na Síria se encontram.
Formado em Engenharia Elétrica na Síria, Ahmed é hoje eletricista na Expresso São José  se diz grato pelo emprego em si, mas também pelo acolhimento e amizades.
“Inicialmente, a vaga era para ser lavador de ônibus. Só que eles acharam que eu tinha mais qualificações do que as necessárias para esse cargo, e preferiram me colocar na manutenção elétrica … Achei um desafio para mim, mas eles contaram comigo, e diziam ‘a gente acredita em você, e você vai conseguir” – disse Ahmed ao portal da ACNUR, a Agência da ONU para refugiados.
A oportunidade a Ahmed veio por outra corrente do bem.
O diretor da Expresso São José, Adriel Lopes, viu uma matéria jornalística sobre refugiados e procurou o IMDH – Instituto Migrações e Direitos Humanos, instituição parceira da ACNUR.
A freira Rosita Milesi, diretora do IMDH, indicou Ahmed.
O engenheiro sírio chegou ao Brasil em 2014 e trabalhou por um mês como garçom, no Rio de Janeiro. O imigrante decidiu se mudar para Brasília, onde conheceu o instituto.
O início não foi fácil, mas a força de vontade fez a diferença positiva.
A conversa com a técnica em segurança do trabalho da Expresso São José, Ana Amélia Costa, se dava pelo aplicativo Google Tradutor.
A força de vontade de Ahmed em aprender um novo idioma motivou a profissional a estudar inglês e também crescer.
Hoje, Ahmed fala muito bem o português.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Crivella obriga todos os ônibus do Rio a serem abastecidos com 20% de biodiesel a partir de março

Segundo decreto, mistura B20 poderá melhorar a qualidade do ar no Rio de Janeiro
Segundo viações, medida vai aumentar custos e prefeitura ainda não definiu reajuste de tarifa, congelada há dois anos
ADAMO BAZANI
A partir do início de março, toda a frota dos cerca de 8,5 mil ônibus municipais do Rio de Janeiro terá de ser abastecida com uma mistura de 20% de biodiesel ao diesel. É a chamada mistura B20.
A obrigatoriedade consta em decreto do dia 08 de janeiro de 2018, assinado pelo prefeito Marcelo Crivella. A publicação no Diário Oficial da Cidade do Rio de Janeiro ocorreu no dia 11 de janeiro e as empresas têm 60 dias para cumprir as normas.
Atualmente, por lei federal, a mistura obrigatória para o consumidor final é de 8% (B8), mas para as empresas de ônibus, as legislações locais podem exigir um percentual maior. Os produtores de biocombustíveis também querem um aumento gradativo maior desta mistura.
Relembre:
Para justificar a obrigatoriedade, Marcelo Crivella diz no decreto que centro de pesquisas concluíram que o aumento da mistura de biodiesel para 20% do diesel pode reduzir em média 14% as emissões de gases Monóxido de Carbono (CO), Óxidos de Enxofre (SOx), Hidrocarbonetos (HC) e Materiais Particulados (MP).
Ainda de acordo com o decreto, este aumento de quantidade de biodiesel reduz problemas de saúde relacionados à poluição e até mesmo a proliferação da dengue e febre amarela: “… a adição do Biodiesel, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), reduz as emissões de Dióxidos de Carbono, reduzindo assim o aumento da temperatura atmosférica, as alterações climáticas e proliferação de mosquitos da Dengue, Malária, Febre amarela, evitando levar a óbito adultos, idosos e, principalmente, crianças em populações de baixa renda.” – diz trecho do decreto.
Na justificativa, Crivella ainda diz que este tipo de medida pode ajudar a reduzir as importações de óleo diesel: “… a adição de B20 tem o potencial de criar milhares de empregos na indústria de Biodiesel, notadamente pela capacidade instalada ociosa de produção, possibilitando ainda a diminuição da importação nacional de Diesel fóssil, que hoje se encontra na ordem de 12 bilhões de litros/ano ao custo de uma evasão de US$ 7 bilhões por ano em divisas…” – relata o decreto.
No artigo 1º., o decreto ainda diz que a mistura B20 vai possibilitar a meta estipulada de reduzir as emissões de Dióxido de Carbono, pelos ônibus da cidade, em 70%.
O presidente do Rio Ônibus, sindicato das empresas, Claudio Callak, diz que a exigência vai aumentar custos de operação num momento em que há companhias fechando (oito viações desde 2015); em que a prefeitura não sinaliza sobre um reajuste da tarifa (que está congelada desde 2015) e ainda, por determinação da Justiça, voltou de R$ 3,80 para R$ 3,60 e, depois, para R$ 3,40, valor atual.
Segundo Callak, exigências como estas, impactam nos custos e nas tarifas.
“Quem fez este projeto tem de dar satisfação também sobre o aumento de custos ao passageiro. Quando o usuário final do sistema reclama do preço da passagem, tem de olhar para trás e ver quem onerou o transporte público. Porque quando a gente fala de aumento de preço de passagem, temos de pensar também que há uma vertente que há discussões sobre desoneração do transporte público, que deveria estar caminhando em paralelo para que a gente tenha uma tarifa justa.” – disse o empresário.
Veja o decreto:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Ônibus da Viação Itapemirim são apreendidos pela PRF por irregularidades


Veículos estavam com documentação irregular
Segundo PRF, desde 2015 empresa não paga licenciamento dos veículos
ADAMO BAZANI
Ao menos três ônibus da Viação Itapemirim foram apreendidos pela PRF – Polícia Rodoviária Federal nesta terça-feira, 09 de janeiro de 2018, porque estavam com documentação atrasada e licenciamento não pago.
Os veículos foram parados no posto da PRF em Caratinga, interior de Minas Gerais.
As primeiras informações foram divulgadas pela emissora local, TV Sistec, e confirmadas nesta manhã ao Diário do Transporte por policiais rodoviários.
Segundo os agentes, a apreensão ocorreu na manhã de ontem no posto do km 526 da BR 116.
Os policiais do posto confirmaram ao Diário do Transporte que dois ônibus estavam sem pagamento do licenciamento desde 2015 e outro desde 2016.
Passageiros tiveram de esperar por horas para continuarem viagem
O primeiro ônibus parado fazia a linha Mantena (MG) – São Paulo (SP). O segundo coletivo rodoviário fazia a ligação Rio de Janeiro (RJ)  – Salvador (BA) e o terceiro, ia de Teófilo Otoni (MG) – São José dos Campos (SP).
Os policiais disseram que se tratou de uma operação feita pela corporação e que os ônibus foram parados aleatoriamente.
O Diário do Transporte aguarda posicionamento da Itapemirim sobre a ocorrência.
Somente depois de um dia da solicitação da reportagem, que a empresa respondeu, dizendo que o problema era pontual.
A Viação Itapemirim S/A, vem por meio desta, esclarecer o corrido sobre a apreensão dos carros em Caratinga no Estado de Minas Gerais. 
Informamos que foi um evento pontual e, ao termos ciência do fato, tomamos todas as providências devidas e a situação fora resolvida.
Lamentamos o ocorrido e estamos trabalhando para que não ocorram situações como esta.
Viação Itapemirim 
Em recuperação Judicial
Último ônibus apreendido ia para São José dos Campo (SP)
A empresa passa por uma das maiores crises de sua história.
Alvo de um litígio judicial entre os atuais donos Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia (com atuação do empresário do setor de cargas Milton Rodrigues Júnior) e os antigos controladores, Camilo Cola e os familiares, o Grupo da Itapemirim está em recuperação judicial desde março de 2016 e acumula dívidas com fornecedores, bancos e funcionários ou ex-funcionários de cerca de R$ 350 milhões.
Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia foram destituídos do comando da empresa em 19 de dezembro de 2017 pelo juiz Leonardo Mannarino Teixeira Lopes, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que acatou parcialmente ação de Camilo Cola que denuncia desvios e dilapidação de recursos do grupo, além de fraudes contábeis e fiscais.
O magistrado, entretanto, não reconduziu a família Cola ao controle das empresas do Grupo Itapemirim.
Nesta terça-feira, 09 de janeiro de 2018, uma audiência judicial tentou designar um novo gestor para a Itapemirim, mas não houve acordo entre os atuais e os antigos donos.
BREVE HISTÓRICO
O Grupo da Viação Itapemirim está em recuperação judicial desde março de 2016. Em dezembro de 2016, a assessoria de imprensa da Itapemirim confirma que a empresa foi vendida a um grupo de investidores de São Paulo, juntamente com a Viação Kaissara.  Entre os investidores estão Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia. Sobre Milton Rodrigues Júnior, a Itapemirim não diz que o empresário é sócio da companhia, mas ele tem uma empresa registada no mesmo endereço da Itapemirim e se apresentou na entrevista coletiva do novo grupo e falou sobre previsões de investimentos. A Itapemirim disse na época que o empresário auxilia com a experiência que possui.  Milton Rodrigues Júnior foi sócio da transportadora de cargas Dalcóquio, mas nunca atuou em empresas de ônibus.
Em maio de 2017, o fundador e antigo proprietário da Itapemirim, Camilo Cola, disse que não queria vender a empresa de ônibus e que foi vítima de um “golpe”. O fundador também afirmou que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando, ou seja, não era para os três empresários se tornarem donos da Itapemirim.
O Grupo Itapemirim tem dívida trabalhistas e com fornecedores que ultrapassam R$ 336,49 milhões e, relativas a impostos, chegam a R$ 1 bilhão..
Fazem parte da recuperação judicial a Viação Itapemirim S/A, Transportadora Itapemirim S/A, ITA – Itapemirim Transportes S/A, Imobiliária Branca Ltda, Cola Comercial e Distribuidora Ltda e Flexa S/A – Turismo Comércio e Indústria. A Viação Kaissara foi incluída na recuperação posteriormente, em dezembro de 2016, por ordem da Justiça, que identificou uma “manobra” da família Cola em relação à transferência de 68 linhas interestaduais da Itapemirim para a Viação Kaissara. O ex-juiz do caso, Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, foi enfático ao classificar a existência de desvio de patrimônio na transferência das linhas da Itapemirim para a Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda – fundada em 2009) que ocorreu em dia 4 de junho de 2015. O magistrado também apontou indícios de uso de “laranjas”, já que a Kaissara tinha como sócios dois funcionários do grupo que não teriam condições, ainda segundo o juiz, de assumir um negócio de tamanha magnitude.
Em 28 de novembro de 2017, o juiz Paulino José Lourenço se afastou do caso após reclamação de Camilo Cola ao CNJ – Conselho Nacional de Justiça que sugeria que o magistrado fazia parte de um suposto conluio para beneficiar os atuais controladores da Itapemirim.
– 07 de março de 2016: A Viação Itapemirim protocolou pedido de recuperação judicial na 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória. O pedido envolveu todas as empresas do grupo da família de Camilo Cola: Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/03/08/itapemirim-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial/
– 18 de março de 2016: A 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, no Espírito Santo, aceitou o pedido de recuperação judicial da Itapemirim e de outras empresas do grupo: https://diariodotransporte.com.br/2016/03/21/itapemirim-tem-60-dias-para-apresentar-plano-de-recuperacao-senao-pode-ir-a-falencia/
– 07 de junho a 01º de julho de 2016: Funcionários de diversas bases da Itapemirim promovem paralisações pelo País contra demissões e atrasos em pagamentos de salários e benefícios:
– 29 de dezembro de 2016: A assessoria de imprensa da Viação Itapemirim confirmou ao Diário do Transporte  que a empresa foi vendida a um grupo de investidores de São Paulo, juntamente com a Viação Kaissara.  Entre os investidores estão Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Júnior e Camila de Souza Valdívia. Milton Rodrigues Júnior foi sócio da transportadora de cargas Dalcóquio. No mesmo dia, a imprensa da Itapemirim também confirmou ao Diário do Transporte, a compra de ônibus usados da Viação Cometa para baixar a idade média da frota.  Relembre:
– 30 de dezembro de 2016: Em parceria, o site de jornalismo de transportes, Diário do Transporte, e o site de imagens de ônibus, Ônibus Brasil, conseguiram com exclusividade a informação de que a 13ª Vara Cível de Vitória determinou a inclusão da Viação Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda) no processo de recuperação. A justiça verificou indícios de irregularidades na transferência de linhas da Itapemirim para a Kaissara, ainda sob a gestão de família Camilo Cola. A suspeita é que foram usados funcionários da Itapemirim como laranjas para a transação.  No dia 4 de junho de 2015, a Itapemirim repassou 68 linhas interestaduais para a Viação Kaissara entre as quais, trajetos de grande demanda, como São Paulo / Rio de Janeiro, São Paulo / Rio de Janeiro (via ABC Paulista), São Paulo / Curitiba, Rio de Janeiro / Curitiba, Salvador/ Rio de Janeiro, Brasília / Belo Horizonte, Rio de Janeiro / Curitiba. Em torno de 40% da frota que era operada pela Itapemirim foram assumidos pela Kaissara na ocasião.
Relembre:
– 11 de janeiro de 2017: Em parecer, o juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, foi enfático ao classificar a existência de desvio de patrimônio na transferência das linhas da Itapemirim para a Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda – fundada em 2009) que ocorreu em dia 4 de junho de 2015. O magistrado também apontou indícios de uso de “laranjas”, já que a Kaissara tinha como sócios dois funcionários do grupo que não teriam condições, ainda segundo o juiz, de assumir um negócio de tamanha magnitude.  “Analisando detidamente toda a documentação é de fácil constatação que as pessoas físicas que compõem o quadro societário da Viação Caiçara Ltda não possuem condições econômicas de constituir o patrimônio societário, avaliado em mais de R$ 100 milhões, levando em consideração a cessão de linhas/itinerários em número de 68; aquisição de frota e imóveis. Para chegar a esta conclusão destaco que ambos os sócios são empregados de empresas que compõem o grupo econômico Itapemirim …Alio a este meu pensar, como destacou o ilustre representante do MPF, que a Kaissara para conseguir operacionalizar o negócio ‘utiliza a mesma frota, a mesma estrutura operacional (escritórios, agências, postos de venda de passagens, estruturas de apoio, garagens, linhas telefônicas, telemarketing, etc…), empregados e – até, a mesma cor de ônibus’, além dos funcionários da Viação Caiçara Ltda terem o pagamento de seus salários efetuados pela Viação Itapemirim … Não me resta dúvida que a Kaissara é empresa do mesmo grupo econômico com personalidade jurídica própria, sendo que a venda/cessão das linhas se mostrou verdadeiro artifício para desviar patrimônio” – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/01/11/juiz-e-enfatico-e-ve-desvio-de-patrimonio-e-uso-de-laranjas-no-caso-itapemirimkaissara/
– 20 de março de 2017: A Itapemirim passou a ser investigada por suspeitas de desvios de recursos ao exterior. O juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, remeteu ao Ministério Público um fato novo: a administradora judicial Saraiva e Alves Advogados Associados, responsável pelo processo de recuperação da Itapemirim e empresas ligadas encontrou comprovantes de remessas de recursos para o exterior, contratos de câmbio, planilhas de pagamentos, dólares e equipamentos de emissão de bilhetagem eletrônica que estavam escondidos na unidade principal do Rio de Janeiro. Todo o material não havia sido informado no processo de recuperação judicial e para os novos investidores. O fato aumentou as desconfianças da Justiça e do Ministério Público em relação à postura dos antigos controladores do Grupo da Itapemirim, de Camilo Cola e família. No início de 2017,  o mesmo juiz foi enfático ao dizer que há indícios de graves irregularidades na Viação Kaissara. Quando a Kaissara assumiu linhas da Itapemirim, se apresentou como uma empresa independente. O discurso foi desmontado na Justiça. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/02/itapemirim-agora-e-investigada-por-suspeitas-de-desvios-de-recursos-ao-exterior/
– 06 de abril de 2017: Os novos controladores da Itapemirim, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente, concederam uma entrevista coletiva na qual prometeram investimentos na empresa e a criação da marca Tour Itapemirim. Na ocasião, os empresários também anunciaram investimentos nos ramos de hotelaria e aviação:
– 07 de abril de 2017: Viação Itapemirim não paga aluguéis atrasados para o Grupo JSL (Júlio Simões) e Polícia Militar cumpre por determinação judicial reintegração de posse dos veículos: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/07/policia-cumpre-mandados-de-reintegracao-de-posse-de-onibus-da-itapemirimkaissara-alugados-pela-jsl/
– 08 de abril de 2017: O Diário do Transporte revela com exclusividade a imagem de 34 ônibus retomados da Itapemirim em um dos pátios do Grupo JSL:
– 12 de maio de 2017: Camilo Cola, ex dono e fundador da Itapemirim diz que foi “vítima de golpe” dos atuais controladores. Cola disse que os atuais controladores foram contratados para ajudar a família fundadora no processo de recuperação judicial. O fundador também afirmou que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando, ou seja, não era para os três empresários se tornarem donos da Itapemirim, segundo o fundador. Cola era assessorado por um diretor de carreira na empresa, Anísio Fioresi, e pelo advogado e ex-juiz Rômulo Silveira, diretor jurídico do grupo com a administração antiga. Camilo Cola falou em quebra de confiança. Fomos enganados de todas as maneiras e tivemos a nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Foi uma articulação monstruosa e sem precedentes, que, infelizmente, só descobrimos há pouco tempo … Já demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS, como determina a legislação. Não irá demorar muito, como já identificamos em outras empresas onde aplicaram o mesmo golpe, para demitirem muitos outros funcionários, sem também efetuar o pagamento de direitos trabalhistas, denegrindo um grupo que se orgulha de sua história no Espírito Santo e no país. Não vamos deixar isso acontecer. Cachoeiro de Itapemirim e o Espírito Santo precisam saber quem é essa gente e nos ajudar a recolocar as empresas no caminho da recuperação” – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/
– 18 de maio de 2016: A juíza Adriana Bertier Benedito, da 36ª Vara Cível – Foro Central Cível de São Paulo, determinou a reintegração de 170 ônibus alugados da JSL pela Kaissara. Relembre:
– 16 de junho de 2017: Apesar de dívidas de mais de R$ 330 milhões e reclamações de atrasos em salários e benefícios dos funcionários, a presidente do novo grupo da Itapemirim, Camila Valdívia, anunciou a compra de  400 novos ônibus, com investimentos totais de R$ 200 milhões. Até dezembro, nenhum ônibus zero quilômetro havia sido comprado pelo grupo.   https://diariodotransporte.com.br/2017/06/16/mesmo-com-dividas-nova-socia-da-viacao-itapemirim-anuncia-compra-de-400-onibus-ate-o-fim-do-ano/
– 3 de julho de 2017: A Passaredo Linhas Aéreas anunciou para imprensa, inclusive ao Diário do Transporte,  que foi comprada pelo grupo que controla a Viação Itapemirim, que atua em transportes de cargas e passageiros. Durante dois meses, haveria uma gestão compartilhada. Com isso, contando as linhas de ônibus e as 20 cidades onde a Passaredo opera em 9 estados, a integração entre as malhas aérea e rodoviária deveria atingir a 2,5 mil cidades brasileiras, segundo divulgação da época. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/07/03/passaredo-linhas-aereas-e-vendida-para-grupo-da-viacao-itapemirim/
– 10 de julho de 2017: O Diário do Transporte revela que salários e benefícios trabalhistas ainda não tinham sido pagos plenamente em consonância às convenções e acordo com os sindicatos. A matéria também mostrou que a família Cola entrou com ações na 13ª Vara Civil Especializada Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória (ES) para anular a transferência de controle da companhia e bloquear a venda de ativos da empresa.
– 11 de setembro de 2017: A Passaredo linhas aéreas, também em recuperação judicial,  anuncia que foi desfeito o negócio com a Itapemirim. Segundo a companhia, o Grupo da Itapemirim não cumpriu cláusulas previstas na negociação. “Diante do não cumprimento das condições precedentes estabelecidas em contrato, os compradores foram notificados pela Passaredo na data de hoje, 11 de setembro de 2017, sobre o encerramento formal do negócio”. As obrigações impostas aos empresários da Itapemirim, como plano de operação e pagamento das primeiras parcelas, não foram cumpridas num prazo de 60 dias estipulado no acordo. Em nota sobre o negócio desfeito, a Itapemirim disse que o rompimento foi consensual. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/09/12/passaredo-linhas-aereas-desfaz-negocio-com-itapemirim/
– 01º  de novembro de 2017: Outro negócio é desfeito. As empresas Rápido Marajó e Transbrasiliana, também em recuperação judicial, se separam da Itapemirim. As companhias de ônibus, a exemplo da Passaredo Linhas Aéreas, acusaram os controladores da Itapemirim de não cumprir cláusulas do acordo. Já a Itapemirim alegou que o negócio foi desfeito por consenso. “Tratam-se de duas recuperações judiciais distintas. Para que possa haver recuperações judiciais mais eficazes e mais transparentes, a decisão foi por separar as empresas e fazer as prestações de contas de maneira mais precisa” Gradativamente, estruturas, garagens e operações realizadas em conjunto serão separadas, garantiu.
– 13 de novembro de 2017 e 28 de novembro de 2017: Recuperação judicial do Grupo da Itapemirim sofre reveses. No dia 13, o juiz Marcos Horacio Miranda, da 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, destituiu a administradora judicial Saraiva e Alves Advogados Associados, representada no processo por João Manuel de Souza Saraiva. A destituição atendeu a parecer do Ministério Público do Estado do Espírito Santo que apontou eventuais erros e ineficiência de atuação da Alves Advogados Associados. O juiz designou a Official Prime Serviços Empresariais, de Chapecó (SC), para ser administradora. Já no dia 28, o juiz Paulino José Lourenço, titular da 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, responsável pelo julgamento do processo de recuperação judicial da Viação Itapemirim e das empresas coligadas, se afastou do caso após representação movida pelo fundador e ex-dono da empresa, Camilo Cola. Na reclamação disciplinar protocolada no Conselho Nacional de Justiça – CNJ, Camilo Cola sugere a existência de uma espécie de conluio entre o juiz José Lourenço e o juiz aposentado e ex-assessor jurídico da empresa, Rômulo Barros Silveira, que poderia resultar em benefícios ao atual grupo controlador da Itapemirim. Rômulo Silveira se desligou do cargo de assessor jurídico da Itapemirim no último dia 05 de novembro de 2017. Também fariam parte deste suposto conluio, segundo a petição inicial movida por Camilo Cola, o ex- administrador judicial, Jerry Edwin Ricaldi Rocha, apelidado de Boliviano. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/11/29/juiz-do-caso-itapemirim-se-afasta-do-processo-apos-reclamacao-de-camilo-cola-junto-ao-cnj/
01º de dezembro de 2017: Matéria especial do Diário do Transporte releva que após retomada dos ônibus da Itapemirim/Kaissara, começaram a faltar veículos nas linhas. Várias partidas passaram a ser canceladas. Os problemas trabalhistas se agravaram. Itapemirim não negou cancelamento de horários e falta de ônibus e disse apenas que renovaria frota, mas não informou quantidade de veículos. Sobre agravamento de problemas trabalhistas, novo grupo diz que cumpre convenções: No mesmo dia, por volta das 19h, os empresários Sidnei Piva de Jesus e Camila Valdívia, que estão à frente da Viação Itapemirim, divulgaram um comunicado dizendo que o grupo tem sido alvo de “conspiração”. No comunicado, os dois empresários e o Grupo Itapemirim dizem que vão acionar judicialmente as pessoas que divulgaram as informações que considera “sigilosas” e também, generalizando, chama de meios de comunicação de “pouca credibilidade” os que publicaram notícias sobre a Itapemirim e faz uma acusação pública e grave:
“A intenção de tais meios de comunicação, que valem-se inclusive de ligações obscuras com terceiros já conhecidos, é de apenas e tão somente denegrir a imagem da atual administração e frustrar os negócios do Grupo Itapemirim.”
– 04 de dezembro de 2017: Trabalhadores das empresas de ônibus Viação Itapemirim e Viação Kaissara, da base de Guarapari, no Espírito Santo, realizaram entre a manhã e a de 04 de dezembro de 2017, uma manifestação e, com dois veículos, impediram a saída dos outros coletivos. Em entrevista ao Diário do Transporte, por telefone, o diretor do Sincovig – Sindicato dos Rodoviários, Wanderley Gonçalves, disse que o protesto ocorreu entre 07h e 16h por causa de atrasos em salários, benefícios e pela possibilidade de parcelamento no 13º salário.
“Tem trabalhador que há três meses não recebe todos os tipos de tickets. São, ao todo, quatro tipos, às vezes pagam dois, depois pagam os outros. Nunca pagam os salários como deve. Às vezes pagam um percentual, no dia seguinte outra parte, e muitas vezes, com isso, o salário não é pago integralmente até o quinto dia útil de cada mês, como está na convenção. Isso sem contar que só pagam as férias depois que os trabalhadores voltam. O plano de saúde, a empresa desconta dos salários, mas não repassa para a administradora. Já teve trabalhador doente que não conseguiu ser atendido” – relatou Gonçalves.
Segundo o sindicalista, o grupo não pagou o aumento salarial de maio, também acordado convenção coletiva.
A Itapemirim foi procurada pelo Diário do Transporte, mas não respondeu.
Relembre:
– 11 de dezembro de 2017: Vem à tona a notícia de que juiz Aureliano Albuquerque Amorim, da 4ª Vara Cível de Goiânia, afastou de forma definitiva do controle do Grupo TTT os atuais donos da Viação Itapemirim Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva de Jesus e o empresário do setor de cargas, Milton Rodrigues Júnior, que atua com ambos. A Capital Administradora Judicial, responsável pela recuperação do Grupo TTT, alega que foram transferidos em abril, 21 ônibus da frota da Rápido Marajó e da Transbrasiliana para a Itapemirim. Apesar da parceria naquele momento, os grupos continuaram distintos e a administradora acusa a Itapemirim de não pagar pelos veículos ou fazer os repasses pela operação. A administradora também acusa desvios de recursos que causaram prejuízos no mínimo de R$ 7 milhões ao Grupo TTT – Transbrasiliana Transportes e Turismo. Os donos da Itapemirim negam.
Relembre:
– 19 de dezembro de 2017: O juiz Leonardo Mannarino Teixeira Lopes, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, atendeu parcialmente pedido da defesa do ex-proprietário e fundador da empresa, Camilo Cola, e destituiu até realização de uma audiência de conciliação, os empresários Camila de Souza Valdívia e Sidnei Piva de Jesus, atuais donos da companhia, juntamente com as empresas SSG incorporação e assessoria – EIRELI e CSV incorporação e assessoria empresarial EIRELI, das quais são sócios. Relembre:
– 27 de dezembro de 2017: Motoristas de ônibus e demais funcionários da Viação Itapemirim em Itabuna, na Bahia, cruzaram os braços. Os trabalhadores dizem que a empresa não pagou o 13º salário.
“Este é um problema sério. Trabalhador não pode ficar sem 13º salário. Soubemos de outras regiões que não houve pagamento, mas em Itabuna, nós paramos e só vamos retornar depois do pagamento” – disse por telefone ao Diário do Transporte, o presidente da federação que reúne os sindicatos de rodoviários do Estado da Bahia, Walter Freire dos Santos.
– 28 de dezembro de 2017: Funcionários da Itapemirim em Vitória, no Espírito Santo, cruzam os braços porque empresa não depositou o adiantamento salarial, previsto em convenção coletiva e o vale-alimentação. A situação só foi normalizada depois dos depósitos.
Relembre:
– 09 de janeiro de 2018: Terminou sem acordo uma audiência na Justiça nesta terça, 09 de janeiro de 2018, para definir uma nova gestão da Viação Itapemirim, empresa que é alvo de litígio judicial entre os atuais e antigos donos, até a realização da Assembleia dos Credores. Camilo Cola e os representantes não aceitaram a sugestão para que a gestão da Itapemirim fosse de responsabilidade do Escritório Arnold Wald Advogados ou de outra grande empresa especializada em recuperação judicial.
Já Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, atuais donos, não aceitaram a proposta de Camilo Cola em colocar como gestores, Andrea Corrêa Cola e José Valmir Casagrande.
Os advogados dos atuais donos quiseram que constasse na ata que não admitiam Andrea Cola por ela ser parente de Camilo Cola e pela “relação íntima” de Casagrande com a família Cola. Estiveram no encontro também os advogados do grupo JSL (Júlio Simões Logística), Vitor Hugo Erlich  Varella e Vinícius José Zivieri Ralio. O grupo JSL tinha alugado, ainda na época da gestão da família Cola, cerca de 200 ônibus ao grupo da Itapemirim, mas os veículos foram retomados por atrasos nos pagamentos.
09 de janeiro de 2018: Como reflexo da crise na Itapemirim, denúncias de ônibus circulando sem licenciamento são confirmadas. Ao menos três ônibus da Viação Itapemirim foram apreendidos pela PRF – Polícia Rodoviária Federal, em Caratinga – MG. Os veículos foram parados no posto da PRF em Caratinga, interior de Minas Gerais. Os policiais do posto confirmaram ao Diário do Transporte que dois ônibus estavam sem pagamento do licenciamento desde 2015 e outro desde 2016. O primeiro ônibus parado fazia a linha Mantena (MG) – São Paulo (SP). O segundo coletivo rodoviário fazia a ligação Rio de Janeiro (RJ)  – Salvador (BA) e o terceiro, ia de Teófilo Otoni (MG) – São José dos Campos (SP).
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes